Heroes Reborn

Tim Kring resolveu trazer de volta a série Heroes, assim como algumas das personagens, nomeadamente Suresh, Hiro, Noah, The Haitian e Matt Parker. Sou um grande fã da primeira temporada, que foi dos melhores produtos televisivos da última década, mas que com a greve dos argumentistas entrou numa espiral negativa, da qual nunca recuperou.

Tendo em conta a (fraca) qualidade da última temporada, foi com surpresa que encarei este regresso, que assenta na premissa de salvar o Mundo, que fica a cargo de Tommy e Malina, os filhos de Claire Bennet.

Vamos ter viagens no tempo, mortes inesperadas, mudança de facções e traições constantes, deixando pouco espaço para o desenvolvimento de personagens e sobretudo para algum tipo de ligação para com os supostos heróis. Existem alguns vilões interessantes, tais como Harris Prime e Joanne Collins, mas que nunca atingem o potencial pretendido, resultado de uma narrativa previsível, aborrecida e sem grande nexo.

O rumo que é dado a Matt Parker e Suresh não acrescenta algo positivo à narrativa, que vive muito de Noah e Hiro na primeira metade da temporada. Confesso que foi penoso ver os treze episódios e encaro como natural o cancelamento da série, que é francamente má.

Por todos os motivos acima descritos, não posso recomendar esta série, mas se são fãs do Universo Heroes, vejam e digam de vossa justiça. Tenha realmente muita pena, dado que a série tem um potencial enorme e merecia ter sido bem tratada pelos argumentistas e produtores.

Daredevil T.2

A primeira temporada de Daredevil é, na minha opinião, a melhor de todas as séries de super-heróis, o que coloca sem dúvida a fasquia muito elevada. Talvez por esse motivo esta segunda temporada introduza a história de Frank Castle e Elektra, em detrimento do clássico embate entre vilão e herói.

Os primeiros seis episódios são quase dedicados na totalidade a Castle, explicando o seu ódio pelos gangs de Hell´s Kitchen e colocando os seus ideais e princípios em confronto com os de Matt Murdock.

A narrativa vai evoluindo, com o embate físico entre ambos os heróis e o consequente aprisionamento de Frank, que vai ser representado por Murdock & Nelson. Os episódios que estão associados ao julgamento são francamente muito bons e fazem a ponte para o aparecimento de Elektra, criando a  narrativa paralela para esta temporada.

Contem igualmente com a introdução de uma sociedade secreta, conhecida por “The Hand”, que tem ligações à Yakuza, assim como o regresso de algumas caras conhecidas da primeira temporada. De forma progressiva, vamos tendo conhecimento da sua história com Matt e as motivações de Elektra, nomeadamente os reais motivos por detrás do seu aparecimento e fazemos a ligação com a narrativa de Castle, o que melhora qualitativamente esta segunda temporada.

No entanto, o grande trunfo é mesmo o julgamento de Castle, com a sua condenação e consequente aprisionamento no mesmo estabelecimento onde se encontra Kingpin. Digo com frequência que um bom vilão representa 50% do necessário para uma série de sucesso e Wilson Fisk é uma personagem épica.

Apesar de entrar em apenas quatro episódios, o seu impacto é inegável, permitindo um final de temporada espectacular. Como sempre, vou evitar colocar spoilers, mas recomendo vivamente que acompanhem as aventuras de Matt Murdock.

Aftermath T.1

A narrativa inicia com uma tempestade solar de proporções épicas, que vai incapacitar grandes partes das comunicações. Progressivamente, vamos tomando conhecimento de comportamentos estranhos, que envolvem ataques canibais e tendências homicidas, com a família Copeland no centro da acção.

Torna-se complicado inserir esta série num género, uma vez que somos bombardeados com tempestades, quedas de meteoritos, terramotos, pragas, criaturas sobrenaturais e o fim do Mundo nos primeiros dois episódios.

A narrativa é fragmentada, sem grande desenvolvimento de personagens e com decisões questionáveis, para dizer o mínimo. A primeira temporada é composta por treze episódios e confesso que não foi do meu agrado. Acaba por existir uma tentativa de explicação científica nos últimos dois episódios, que apresenta lacunas mas permite-nos ter algum sentido de foco.

As interpretações são medianas (para ser simpático) e o enredo é insipiente, mas a partir de certa altura senti a necessidade de chegar ao fim apenas para ter a certeza que existiria alguma explicação lógica para esta panóplia de lendas e mitos urbanos.

Aftermath é uma série estranha, que tenta ser única em vários aspectos, acabando por falhar redondamente. Sinceramente, não posso recomendar que invistam tempo em algo tão diferente mas deixo ao vosso critério a decisão. Espero que este artigo vos possa ajudar na decisão e caso tenham algo a partilhar, utilizem a caixa de comentários.