Blackhat

A premissa deste filme é simples e centra-se na personagem de Nicholas Hathaway, um hacker que se encontra a cumprir pena, que vai ser recrutado como consultor numa investigação conjunta do governo chinês e americano. No decorrer do primeiro acto ficamos a conhecer o real motivo da sua escolha, assim como a sua ligação ao Capitão Chen Dawa.

A agente Carol Barrett e o US Marshal Jessup são destacados para auxiliar nesta missão, que terá como plano de fundo Los Angeles,  Hong Kong e Jacarta. O primeiro objetivo passa por identificar os autores do ataque à central nuclear de Chai Wan, que permanece em sobreaquecimento e em perigo de colapso total. A investigação avança, graças aos métodos pouco ortodoxos de Hathaway, revelando um plano inesperado, embora focado na obtenção de riqueza.

Há uma cena de ação bem conseguida, em Hong Kong, que acaba por ter resultados catastróficos para a equipa, que não consegue aprender Kassar, o suspeito principal. Posteriormente, Hathaway vê-se forçado a entrar na NSA, para aceder a um software (Black Widow), que lhe permitirá identificar a origem do ataque informático à central nuclear.

Como é frequente, evito os spoilers narrativos, mas posso adiantar que o terceiro acto é, na minha opinião, o mais fraco deste filme. Após uma sequência frenética de eventos, o confronto com o vilão fica aquém das expectativas, culminando num desfecho pouco satisfatório. Em termos de interpretações, nada de particularmente relevante, apesar do elenco contar com nomes sonantes, tais como Viola Davis, Chris Hemsworth  e Holt McCallany.

Se procuram um filme que proporcione entretenimento e ocupe um final de domingo, fica a minha recomendação.

Mediano
65%

Ant-Man and the Wasp: Quantumania

A MCU tem passado por uma fase mais conturbada, resultado de decisões questionáveis e uma gigantesca quebra de qualidade na narrativa. Dito isto, foi com bastante moderação que resolvi investir duas horas no terceiro filme de Ant-Man.

O primeiro acto introduz o status quo das personagens principais, com destaque para a vida pessoal e profissional de Scott Lang, que tenta recuperar o tempo perdido com a sua filha. Durante uma reunião familiar, Scott, Hope, Hank, Cassie e Janet são catapultados para o Quantum Realm, dando início a uma aventura que irá trazer de volta alguns fantasmas do passado.

A narrativa assenta na relação existente entre Janet e Kang, que procura desesperadamente reconstruir o Multiversal Power Core. Ficamos igualmente a conhecer o seu plano e as ramificações para o Multiverso, numa clara alusão à série de Loki. O Quantum Realm é retratado de forma cativante, englobando várias raças que se unem no sentido de criar uma Resistência e combater as forças de Kang.

Destaque para as personagens de Jentorra, Quaz e Veb, que acrescentam alguma profundidade e humor à narrativa, que acaba por ser muito previsível. No entanto, o ponto mais desapontante deste filme é o vilão, que nunca atinge o patamar (narrativo) necessário para elevar esta aventura. Adicionalmente, Cassie e Janet são claramente as personagens mais fortes deste filme, que relega Scott Lang e Hope  para um papel secundário, o que não deixa de ser surpreendente.

No global, Quantumania tem efeitos especiais soberbos e alguns momentos de humor que o convertem numa experiência agradável. No entanto, está distante de ser uma adição relevante para a MCU, que continua a ter dificuldade em replicar o sucesso da fase 3. E nem sei o que dizer acerca do caminho seguido para M.O.D.O.K.!Recomendo que aguardem pelas duas cenas pós-créditos, que são relevantes para os eventos de Loki.

Mediano
66%

Samaritan

Granite City foi palco de uma batalha épica há muito tempo atrás, que envolveu dois irmãos gémeos com superpoderes. O desfecho foi trágico, com o desaparecimento de ambos, numa gigantesca explosão numa central eléctrica.

A memória de Samaritan perdurou, sobretudo pelo seu trabalho de superherói e defensor da cidade, que com o passar os anos, se converteu num antro de criminosos e com uma população no limiar da pobreza. O primeiro acto introduz o jovem Sam Cleary, que faz os possíveis para ajudar financeiramente a sua mãe, optando por um caminho perigoso, que envolve um gangue local, algo que irá mudar radicalmente a sua vida.

Reza, o líder da organização, reconhece potencial em Sam, solicitando a sua participação em algumas operações de características duvidoso. Alguns dos membros do gangue não aceitam da melhor forma esta ligação, realizando uma emboscada ao jovem, que se vê impotente para os deter. É nesse altura que é resgatado por Joe, um vizinho de idade avançada, que derrota facilmente os jovens, demonstrando uma forma invulgar. Sam fica de imediato com a suspeita de que trata de Samaritan, de quem é fã, algo que é corroborado mais tarde, aquando dum acidente de carro.

É com base nesta premissa que avançamos para o segundo acto, em que Reza obtém o martelo de Nemesis, o falecido irmão de Samaritan. Este artefacto é a única arma capaz de infligir dano ao nosso superherói e serve de motivação a Reza para recriar o plano original de Nemesis, que visava devolver o poder ao povo de Granite City. A história dos dois irmãos vai sendo lentamente desvendada ao longo da narrativa, assim como os detalhes que envolveram a batalha final entre ambos.

Este é sem dúvida um filme de heróis diferente do habitual, que mostra a ténue linha que separa o Bem do Mal. Joe acaba por tornar-se involuntariamente num mentor para Sam, na tentativa de ajudá-lo a sobreviver numa sociedade em que é mais fácil ignorar o perigo. No que diz respeito ao elenco, destaque para Stallone, Jason Walton, Pilou Asbaek, Dascha Polanco e Moises Arias, que têm uma interpretação sólida.

Samaritan acaba por ter um desfecho previsível mas é um filme que garante entretenimento. Caso tenham acesso ao Amazon Prime Video, fica a minha sugestão para uma tarde de domingo.

Mediano
68%