Justice League: The Snyder Cut

Cerca de três anos e meio após a estreia do filme original e após muita insistência dos fás, a DC lançou (finalmente) a visão de Zack Snyder. Segundo consta, foram filmadas inúmeras cenas novas, num investimento final de 70 milhões de dólares, que demonstra a aposta forte da DC em melhorar a qualidade final do produto.

A versão de Joss Whedon falha essencialmente no campo da narrativa, com lacunas fulcrais no que diz respeito à génese de Aquaman, The Flash e Cyborg. Adicionalmente, o vilão (Steppenwolf) é francamente genérico, sendo incapaz de transmitir uma sensação de poder cósmico insuperável. Para terminar, o CGI utilizado é no mínimo, questionável, relegando este filme para um patamar que não se coaduna com o que esperava de um projeto ambicioso como a Justice League.

Quando saíram os pormenores da nova versão, com quatro horas de duração e sobretudo, com o primeiro trailer, confesso que fiquei entusiasmado com o conceito apresentado. A visão de Snyder introduz  um universo mais sombrio, como é apanágio da DC mas ganhou o meu respeito com a integração dos primeiros três actos, que são exclusivamente reservados ao desenvolvimento das personagens. A narrativa é sólida, explanando as motivações e angústia que cada uma dos heróis ostenta, enquadrando de forma quase perfeita as decisões que vão tomar ao longo da aventura.

Steppenwolf é retratado de uma forma muito mais ameaçadora, com um CGI melhorado, que eleva o seu nível enquanto vilão. Uma das minhas cenas preferidas continua a ser a sua batalha com as Amazonas, embora tenha igualmente de destacar o embate entre os Heróis da Terra Antiga e Darkseid e a sequência final, em que a Justice League derrota o exército de Parademons.

A personagem de Barry Allen, Arthur Curry e Cyborg têm igualmente muito mais profundidade neste filme, com a integração das suas origens e adição de sequências com a participação de Henry Allen, Mera, Vulko e o Dr Silas Stone. Gostei igualmente da mudança de tom conferido a Wonder Woman e Batman, que são retratados com muito mais emoção,  conferindo uma sensação de perda e culpa pelo desaparecimento de Super-Homem. Curiosamente, Henry Cavill não tem uma participação muito ativa neste filme, mas é retratado com o poder e importância que a sua personagem deve ostentar. E a forma como a narrativa vai subindo de tom até ao seu renascimento está francamente bem conseguido, transmitindo uma sensação de grandeza, que é fundamental para justificar todos os sacrifícios realizados pela equipa.

Há muito para falar sobre este filme, mas vou evitar os detalhes que possam comprometer a vossa experiência. Dito isto, parece-me relevante destacar a (curta) participação de Darkseid, assim como o derradeiro acto, em que a narrativa apresenta uma série de possibilidades, com o aparecimento de um membro muito relevante da Justice League e um vislumbre do que poderá ser um universo alternativo, algo explorado em diversos livros da DC ao longo dos últimos anos.

No global, gostei bastante desta versão, que é claramente superior ao original. Parece-me no entanto justo salientar que a comparação é algo injusta, pelo contexto em que foi lançado e pela duração total, que nunca poderia ser a versão final para cinema.  Os dois pontos menos positivos (e secundários) deste projeto, são para mim as quebras de continuidade que resultam das filmagens novas, em que é visível as mudanças físicas nos actores e a forma estranha e pouco natural como Flash corre.

Dito isto, o Snyder Cut é uma visão que faz muito mais sentido em termos de DCU, abrindo inúmeras portas para projetos futuros, que muito provavelmente não irão contar com a maior parte dos intervenientes deste projeto. Mas é, sem dúvida, uma lufada de ar fresco, que recuperou alguma da minha esperança para o futuro cinematográfico da DC.

Bom
80%

Wonder Woman 1984

A DC tem falhado de forma consistente nos últimos anos, mas no que diz respeito a Wonder Woman, a escolha de Gal Gadot foi perfeita, tendo originado, na minha modesta opinião,  um dos melhores filmes de super-heróis dos últimos anos.

O cenário de pandemia que vivemos atrasou, por razões óbvias,  as estreias dos principais projectos mas eis que finalmente tive a oportunidade de ver a sequela, que conta, uma vez mais, com a realização de Patty Jenkins. O facto do argumento ter a contribuição de Geoff Johns aumentou o meu nível de confiança, embora reconheça que não fiquei convencido com os trailers apresentados.

A narrativa retoma na década de 80, onde encontramos uma Diana Prince que trabalha como curadora num museu, embora continue a combater o crime, de forma anónima. O acto inicial marca o tom do filme, apresentando-nos uma Wonder Woman amargurada e com claras dificuldades em gerir a perda de Steve Trevor.

Maxwell Lord (Pedro Pascal) e Cheetah (Kristen Wiig) são os vilões desta aventura, que irá incorporar um artefacto antigo que aparenta conceder qualquer desejo, embora a um custo elevado. O desenvolvimento destas duas personagens é intrigante e acaba por impedir que o primeiro acto seja um falhanço completo.

Não compreendo minimamente a decisão de trazer Steve Trevor para a sequela, dado que pouco ou nada acrescenta à história, repetindo inclusivamente algumas das premissas do filme original. Existem no entanto alguns momentos cómicos que envolvem Diana e Steve, tendo como pano de fundo o estilo dos anos 80.

As cenas de ação são aceitáveis, embora o CGI deixe algo a desejar, em determinados momentos. Infelizmente, a presença de Gal Gadot é insuficiente para converter os 151 minutos de WW 1984 em algo digno de referência positiva. O terceiro e último acto engloba a batalha com Cheetah e uma série de decisões que moldam o desfecho final desta sequela, que ficou muito aquém das minhas expectativas.

Pelas razões acima mencionadas, sou forçado a conceder que WW 1984 é, para já, a minha desilusão cinematográfica do ano. Gostaria de ter visto uma narrativa distinta, que se focasse num Maxwell Lord mais fiel à BD e numa Cheetah que pudesse converter-se numa ameaça clara a Diana Prince, algo que não é visível neste filme.

Espero sinceramente que a DC aprenda com este falhanço, mantenha a confiança em Gal Gadot e aposte forte para a conclusão da trilogia. Para terminar, peço-vos apenas que vejam a cena pós-créditos, que tem algo relevante em termos de fan service.

Mediano
60%

Heart of Batman

Os anos 90 estão repletos de grandes séries de animação e Batman é, muito provavelmente, o seu expoente máximo. Este documentário é muito interessante e partilha pormenores curiosos sobre o trabalho de Paul Dini e Bruce Timm.

Convido-vos a assistir e caso pretendam, a caixa de comentários está disponível para iniciarmos um debate sobre este tópico.