Valley of the Dead

O ano é 1938 e a guerra civil espanhola encontra-se ao rubro. A narrativa explora os resultados de uma estranha experiência nazi, que vai transformar em zombies os habitantes de uma pequena aldeia. A personagem principal desta aventura é Jan Lozano, um capitão do exército espanhol, que tem muita dificuldade em lidar com a hierarquia.

A sua insubordinação coloca-o à mercê dum pelotão de fuzilamento, cabendo ao seu tio, o General Lozano, a decisão de cancelar essa execução. Como compensação, é-lhe entregue a missão de entregar uma mensagem secreta na zona de Alarcos, que se encontra numa área de forma resistência das forças republicanas.

A sua missão acaba por revelar-se um desafio, sobretudo a partir do momento em que são capturados e mais tarde atacados por uma horda de zombie. Inevitavelmente, ambas as facções acabam por formar uma aliança, no sentido de desvendar o responsável por esta nova ameaça. Existem vários momentos hilariantes ao longo de Malnazidos, que ao bom estilo deste género, vai originar muitos sacrifícios, no sentido de garantir o sucesso da missão.

A invulgar união entre o Capitão Lozano e as forças republicanas é interessante, conferindo uma dinâmica que eleva este filme a um patamar competente. Adicionalmente, as personagens de Matacuras, Sor Flor e Decruz são fundamentais para o desfecho da narrativa, que deixa em aberto uma possível sequela.

No acto final, temos o embate com o líder nazi, Schutzstaffel, o responsável pelo soro que converteu a população em zombies. Contem com uma resolução inesperada e um final que está longe de ser feliz, mas no global diria que Valley of the Dead foi uma agradável surpresa. Se são subscritores do Netflix, este é sem dúvida um projeto que recomendo sem hesitação.

Mediano
66%

Army of the Dead

Após o mítico Dawn of the Dead, Zack Snyder está de regresso ao universo zombie. O primeiro acto apresenta a génese da infestação, que tem o seu epicentro na cidade de Las Vegas. O Governo coloca toda a área em quarentena e face ao descontrolo da situação, opta por lançar uma ogiva nuclear táctica no prazo de 72 horas.

É nesse altura que Bly Tanaka, o dono de um dos casinos, aborda Scott Ward, um antigo mercenário, no sentido de aceitar uma missão, que implica infiltrar-se em Las Vegas e recuperar 200 milhões de dólares. O nosso herói aceita o trabalho, passando de imediato à angariação de talento para a sua equipa. As escolhas recaem em Maria Cruz, Vanderhoe, Marianne Peters, Luwdig Dieter e Mikey Guzman, que terão a função de suporte no terreno, pilotar o helicóptero e arrombar o cofre.

A narrativa, apesar de simples, tenta desenvolver as personagens, mostrando as motivações que levam Ward a aceitar uma missão que muitos considerariam suicida, como forma de redenção pelos erros do passado. A equipa original acaba por receber novos elementos, com a adição de Kate, a filha de Scott, assim como de Lily the Coyote e Burt Cummings, que terão um papel importante a cumprir no desfecho final da aventura.

Tomamos igualmente conhecimento que os zombies estão divididos em classes, cabendo aos Alfas a liderança do exército, sob a supervisão direta de Zeus, o líder supremo dos Zombies. Sem entrar em pormenores, posso adiantar que vamos ter muitas cenas de ação, alguma comédia e os inevitáveis slow motion de Snyder, acompanhados de forma deliciosa por uma banda sonora muito competente.

No que diz respeito a interpretações, nada de particularmente relevante, embora o elenco conte com nomes conhecidos, tais como Dave Bautista, Tig Notaro, Theo Rossi e Hiroyuki Sanada. A narrativa acaba por ser previsível, mas termina de forma a ser viável uma sequela.

Aliás, de acordo com o próprio Zack Snyder, estão previstas duas prequelas, que irão expandir o universo de Army Of The Dead e que irão focar-se nalgumas dos membros da equipa de Scott Ward.

Caso sejam subscritores do Netflix, fica a sugestão. Está longe de ser brilhante mas é uma experiência positiva e que, no meu caso, fica sempre associada a um género que representa um dos meus guilty pleasures.

Mediano
68%

The Dead Don’t Die

O mais recente projeto de Jim Jarmusch juntou um elenco de peso, com destaque para nomes como Steve Buscemi, Bill Murray, Adam Driver, Chloe Sevigny, Danny Glover, Tilda Swinton, Selena Gomez e Austin Butler.

O que poucos esperavam é que The Dead Don´t Die fosse um filme de zombies. A narrativa decorre na pacata cidade de Centerville e começa por mostrar-nos o quotidiano diário do Xerife Cliff Robertson (Bill Murray) e do seu adjunto (Adam Driver), com um foco por vezes excessivo na música de Sturgill Simpson.

Os dias começam a ficar mais curtos e inexplicavelmente os animais começam a desaparecer. Lentamente, vamos sendo apresentados aos diversos membros da sociedade local, com pequenos detalhes a serem disponibilizados ao espectador, para conferir continuidade e enquadramento.

O primeiro ataque (com a participação de Iggy Pop) ocorre de forma inesperada e lança a confusão nos habitantes, que começam a formular teorias acerca do sucedido. O filme tem momentos cómicos fantásticos e apresenta evidentes críticas sociais, que são visíveis no próprio comportamento dos zombies.

Tom Waits é o eremita local, que tem a seu cargo a narração de um filme que quebra em algumas ocasiões a quarta parede. Existem momentos muito positivos e os diálogos conseguem ser em certos momentos fenomenais mas no global, esperava mais em termos de narrativa e interação entre as personagens.

Por esse motivo, a minha apreciação final fica muito abaixo do esperado.

Mediano
61%