Lion King

Há quem diga que atravessamos uma era cinematográfica definida por ausência de ideias e originalidade. Para essa noção muito tem contribuído o sucesso dos filmes de super-heróis, em conjunto com vários  remakes de clássicos.

Um dos mais recentes casos é sem dúvida o Rei Leão, uma obra prima de animação da Disney, que Jon Favreau resolveu renovar, numa perspectiva foto-realística. A narrativa acompanha as aventuras de Simba, o futuro Rei de Pride Rock, que se vê envolvido numa trama que culmina com o assassinato do seu Pai (Mufasa).

Apesar do original ser de 1994, vou evitar os spoilers em termos de enredo, adiantando apenas que Simba acaba por se exilar, passando a viver na companhia de Pumbaa (javali) e Timon (suricata), o que lhe dá uma perspectiva completamente distinta da cadeia alimentar.

A banda sonora foi novamente entregue a Hans Ziemmer, Elton e Tim Rice, que já tinham trabalhado no original e a nível de vozes, destaco o regresso de James Earl Jones e a adição de Donald Glover, Seth Rogen, Chiwetel Ejiofor, Beyoncé e John Oliver.

Lion King teve um orçamento de 260 milhões e o resultado visual é deslumbrante, com cenas incrivelmente realistas e dinâmicas. O humor está igualmente presente e as vozes escolhidas complementam de forma soberba a narrativa.

Mas dito isto, na minha opinião, fica aquém do original. Existe algo de verdadeiramente único e épico no clássico de animação da Disney, que esta adaptação não consegue replicar, apesar de ser no global um bom filme.

Bom
72%

Ralph Breaks the Internet

Seis anos após os eventos da primeira aventura, os nossos heróis têm um novo desafio: viajar até à internet, encontrar e adquirir um volante no Ebay, de forma a reparar o jogo Sugar Rush.

Mas nem tudo vai ser fácil para o duo dinâmico de Ralph e Vanellope von Schweetz, sobretudo após uma passagem pelo MMORPG Slaughter Race, em que vão conhecer Shank, que acabará por ter um papel importante a desempenhar ao longo desta aventura.

De forma a adquirir os fundos necessários para ganhar o leilão, o nosso herói vê-se forçado a criar vídeos virais na internet, com a ajuda de Yesss, criando momentos verdadeiramente hilariantes. Lentamente vamos tomando conhecimento que Vanellope não tem intenção de regressar ao seu jogo, anseando por algo mais desafiante e que fuja à monotonia do seu quotidiano diário.

Ralph por outro lado, quer regressar o mais rapidamente possível ao seu habitat natural, para beber uma cerveja no salão de Tapper (um dos meus jogos preferidos de infância). Existem sequências verdadeiramente épicas, em que temos a inclusão das princesas da Disney, assim como os inevitáveis clichés e perigos da internet, tais como o spam, malware e os diversos tipos de pop up ads.

O terceiro acto do filme apresenta-nos uma escolha para Ralph, que implica abdicar das suas necessidades pessoais em prol da felicidade de Vanellope, com uma batalha final repleta de simbolismo, bem ao estilo da Disney.

Estamos perante uma sequela muito bem conseguida, que complementa o primeiro filme e que volta a contar com excelente casting, com destaque para a adição de Alan Tudyk, Gal Gadot e Alfred Molina.

Bom
75%

Solo: A Star Wars Story

Apesar de ser uma das minhas personagens favoritas do Universo Star Wars, este filme nunca me suscitou particular interesse. Os constantes adiamentos em termos de datas, a mudança de argumentista e de realizador ajudaram a fomentar a ideia que seria um projeto condenado ao insucesso. Por esse motivo, a minha expectativa era muito baixa, o que resultou no facto de ter gostado muito mais deste filme do que antecipava.

Saliento que a narrativa está longe de ser perfeita e lança muitas dúvidas (sem spoilers) mas a realidade é que consegue ilustrar a evolução de Han, um rapaz oriundo do planeta Corellia, que tem o sonho de se tornar num piloto e resgatar Qi´Ra, a sua grande paixão.

As circunstâncias levam-no a converter-se num fora da lei, juntando-se à equipa de Beckett, um mercenário que apresenta ligações ao sindicato Crimson Dawn, liderado por Dryden Vos. De forma a pagar uma dívida e garantir a sobrevivência, Han aceita ir ao planeta mineiro Kessel e roubar um carregamento de coaxium, um mineral muito valioso.

Ao longo do filme existem momentos deliciosos, dos quais destaco a forma como Han e Chewbacca se conhecem, passando pelo épico jogo de cartas com Lando e claro o robot L3-37, que tem alguns dos momentos mais hilariantes.

Gostei imenso da personagem de Emilia Clarke (Qi´Ra) e Woody Harrelson (Beckett), que conferem uma dinâmica fantástica, assim como aos maneirismos de Donald Glover (Lando), que consegue garantir essa ligação aos filmes originais. No entanto, a narrativa é francamente previsível e pouco ou nada acrescenta ao Universo Star Wars, apesar de retirar muita inspiração da série de animação Clone Wars (novamente, sem spoilers!).

Ron Howard realiza de forma competente esta nova aventura, que muito possivelmente terá uma sequela. Não estamos perante algo memorável mas face aos múltiplos entraves que foram sendo colocados, Solo: A Star Wars Story acabou por ser uma agradável surpresa para mim.