Voltron Legendary Defender T.1

A Netflix fez um acordo para produzir 76 episódios de Voltron Legendary Defender, cabendo à Dreamworks o papel de criar a narrativa. O CGI utilizado é da responsabilidade do estúdio coreano Mir e existe uma clara influência de anime em vários momentos desta primeira temporada.

Os primeiros episódios servem claramente para nos colocar ao corrente das motivações dos novos paladinos de Voltron, que irão ajudar na luta contra o terrível Império Galra. A equipa é composta por cinco pilotos, Shiro, Keith, Lance, Pidge e Hunk, que começam por encontrar o Leão Azul, dando início à sua missão, em conjunto com a Princesa Allura e Coran.

Com o evoluir dos episódios, os restantes Leões vão sendo localizados, o que vai desbloqueando habilidades e criando as condições necessárias para formar Voltron. Ficamos igualmente que a energia que alimenta os Leões (quintessence) é de outro Universo, um ponto que revelar-se-à fundamental nos desenvolvimentos da terceira e quarta temporada.

A primeira temporada é muito interessante, com um desenvolvimento de personagens relevante e que nos permite identificar o perfil de cada um dos membros. A animação está bem conseguida e diria que é uma excelente introdução ao universo de Voltron, que terá em Zarkon o seu inimigo principal.

Hulk: Where Monsters Dwell

A simbiose da pandemia com o formato de teletrabalho aumentou drasticamente o tempo passado em casa, pelo que tenho investido uma boa parte do meu tempo a reduzir a minha lista de pendentes.

Recentemente, tive oportunidade de ver Where Monsters Dwell, uma produção da Marvel que junta Hulk, Doctor Strange e os Howling Commandos da SHIELD.

O vilão desta aventura é Nightmare, o Senhor da Dimensão dos Sonhos, que cria um plano maquiavélico no sentido de abrir um portal entre os dois mundos. O primeiro acto lança a premissa da narrativa, explicando que durante o período de Halloween a energia mística atinge o seu auge, criando as condições ideais para alimentar o poder dos Sonhos, que se alimenta do Medo.

Gostei particularmente do arco narrativo associado a Bruce Banner e Hulk, que tentam coexistir no mesmo corpo. Os Howling Commandos são uma equipa disfuncional, que irá crescer ao longo deste crise, ficando igualmente com a maior parte dos momentos de humor. Para terminar, temos a sapiência e o lado místico de Dr Strange, que tem a tarefa de mentor, sem nunca descurar a necessidade de controlar os danos criados por Nightmare.

O segundo acto decorre na Dimensão dos Sonhos, com batalhas constantes, dos quais destaco Hulk vs Iron Man Hulkbuster e Nightmare vs Doctor Strange. Os nosso heróis acabam por ter de encarar e conquistar os medos mais profundos, para poderem emergir vitorioso. Para terminar, temos a história de origem para um novo membro dos Howling Commandos, cujo nome fica por mencionar.

O casting a nível de vozes é competente e a animação cumpre a função, sobretudo para um projeto de 2016 mas no geral, este filme ficou um pouco aquém das minhas expectativas.

Mediano
65%

Kingdom Come

Alex Ross é uma figura incontornável da BD, com trabalhos lendários na Marvel e DC. O artigo de hoje é dedicado a Kingdom Come, que na minha opinião é a sua obra mais icónica. Estamos perante uma narrativa Elseworld, focado num universo alternativo, em que os super-heróis foram substituídos por uma nova geração de vigilantes, com poderes meta-humanos.

Magog é o expoente máximo desta nova vaga, que não tem pudor em assassinar Joker, pelos crimes cometidos num ataque que originou a morte de Lois Lane e inúmeros outros jornalistas do Daily Planet. A narração fica a cargo de Norman McCay, um pastor que recebe visões apocalípticas do futuro e que será a testemunha de The Spectre.

Lentamente, vamos sendo apresentados à série de eventos que originaram o desaparecimento de Super-Homem. Ficamos a saber que um ataque liderado por Magog corre terrivelmente mal, originando a morte de Captain Atom, com a consequente contaminação nuclear de uma boa parte das colheitas do EUA.

Wonder Woman consegue convencer Clark a regressar ao activo na Justice League, com o intuito de doutrinar e inserir valores morais nesta nova geração de heróis. A tentativa de recrutar Batman corre terrivelmente mal, dado que existe claramente um ressentimento de Bruce, que tenta convencer Clark da necessita de utilizar uma estratégia, em detrimento da força.

Após a visita de Super-Homem, o Dark Knight opta por reactivar a sua rede de agentes, que são conhecidos por The Outsiders. Este grupo consiste em heróis de segunda e terceira geração, contando com a liderança de Batman, Green Arrow e Blue Beetle.

Para tornar ainda mais complexa a narrativa, descobrimos igualmente que os vilões (Lex Luthor, Catwoman, The Riddler, Vandal Savage) criaram a Mankind Liberation Front, com o objetivo de inviabilizar que esta nova geração de meta-humanos lidere o Mundo.

Esta é a premissa principal de Kingdom Come, que vai explorar as ações da Justice League, que tentam educar a nova geração, recorrendo a táctica totalitaristas, que os colocam em conflito directo com Batman e os Outsiders. Inevitavelmente o derradeiro acto do livro vai levar a uma batalha entre estas três facções, que defendem ideias opostas, originando o evento apocalíptico que Norman McCay irá testemunhar, em conjunto com The Spectre.

Apesar de ser um título de 1996, vou evitar os spoilers mas recomendo vivamente a leitura de Kingdom Come. Para além da incrível arte de Alex Ross, a narrativa é envolvente, com lições morais relevantes e actuais, elevando este livro a um patamar de referência no universo da DC.