The Midnight Sky

George Clooney é o realizador e figura principal deste projeto Netflix, que se baseia na obra de Lily Brooks-Dalton. O Dr Augustine Lofthouse é um cientista que se encontra no Ártico, no ano de 2049,  quando um estranho evento apocalíptico ocorre no Planeta, irradiando o ar e forçando a raça humana a refugiar-se no subsolo.

Apesar da temática inerente de ficção científica, The Midnight Sky é um relato pessoal de um dos últimos sobreviventes da superfície do Planeta, que tenta desesperadamente alertar a tripulação da nave espacial Aether, a única e derradeira missão ativa da NASA, que se encontra de regresso à Terra após uma missão de dois anos na lua K-23, de Júpiter.

Ao longo da narrativa ocorrem diversos flashbacks, que servem para apresentar as personagens, embora o foco principal seja efetivamente o Dr Lofthouse. A bordo da Aether, os astronautas não têm qualquer conhecimento do evento e realizam as suas tarefas diárias, até uma avaria os desviar da trajectória, o que implicará algumas decisões complexas e que colocarão a sua segurança em causa.

Na estação do Ártico, Augustine acaba por encontrar uma menina de nome Iris, que se perdeu aquando da evacuação e aparenta não conseguir falar. Lentamente, a relação entre ambos vai evoluindo, servindo de redenção para Augustine, que claramente tem muitos remorsos pela forma como lidou com a sua filha no passado.

A narrativa alterna entre a missão da Aether e a corrida contra o tempo no Ártico, dado que o Dr Lofthouse toma a decisão de viajar até a uma estação meteorológica com capacidade de contactar a tripulação e impedir a sua entrada na atmosfera.

No global, o filme está bem conseguido e tem uma metáfora inerente, que faço questão de manter no anonimato. No que diz respeito a interpretações, George Clooney, David Oyelowo, Felicity Jones, Caoilinn Springal e Kyle Chandler são bastante competentes, apesar da narrativa ser algo previsível.

No entanto, posso assegurar que The Midnight Sky é uma sugestão a ter em conta para quem aprecia ficção científica focada na narrativa e nas emoções humanas da constante luta pela sobrevivência.

Mediano
69%

Raised by Wolves T.1

Ridley Scott é o produtor desta narrativa, que nos apresenta um futuro distópico, em que dois andróides são encarregues de criar e educar um grupo de crianças, que irão ser o futuro da Humanidade. Falar sem spoilers sobre esta série é complicado, mas vou fazer o meu melhor nos parágrafos que se seguem.

Ao longo desta temporada, tomamos conhecimento do destino do Planeta Terra, que foi abandonado por uma fação religiosa, que venera o Deus Sol. Adicionalmente, no lado oposto, temos  um grupo de ateus, que acabam por conseguir infiltrar-se na Arca, por motivos que iremos conhecer mais para o final destes primeiros dez episódios.

Existem inúmeras muitas surpresas na narrativas, sobretudo no que diz respeito a comportamento das principais personagens. A narrativa está igualmente repleta de ideologias opostas, em termos de crenças religiosas e existenciais, assim como de hábitos alimentares e respeito pelo ecossistema.

Para mim, o facto mais curioso é a relação dos andróides para com as crianças, sempre numa perspectiva de preservação e evolução enquanto espécie.  É evidente que estou a omitir deliberadamente vários pontos relevantes, mas diria que os últimos quatro episódios criam uma reviravolta gigantesca no rumo da narrativa, abrindo caminho para certos eventos que vão certamente ser fundamentais na segunda temporada, que deverá estrear em setembro de 2021.

Raised by Wolves não é uma série consensual, mas tem potencial para se converter numa referência do género de sci-fi, precisamente porque debate temas relevantes, que (por acaso) estão contidos numa narrativa de um futuro distópico.

The Mandalorian T.2

A primeira temporada foi uma extraordinária surpresa, elevando a fasquia e a exigência dos fãs. Jon Favreau e Dave Filoni aceitaram o desafio e criaram uma segunda temporada que conseguiu superar todas as minhas expectativas.

O primeiro episódio coloca o nosso bounty hunter preferido numa batalha (épica) contra um Krayt Dragon, que culmina na obtenção de um item que moldará os eventos futuros da narrativa. Sem colocar spoilers, posso adiantar que a Razor Crest vai sofrer imenso nos episódios seguintes, especialmente numa missão em que Din Djarin terá de garantir a sobrevivência dos descendentes de Frog Lady.

A interligação entre as diversas séries do universo Star Wars continua a ser uma realidade, com a participação de Bo-Katan e Ahsoka Tano, para além de outros, que vou manter no anonimato. Tomamos igualmente conhecimento que Moff Gideon pretende estudar o sangue de The Child, alegadamente pelas suas propriedades únicas e a contagem rara de midi-chlorians que ostenta.

Ahsoka consegue estabelecer uma ligação à Força com a criança, revelando que o seu nome é Grogu e instrui Mando a deslocar-se ao tempo Jedi de Tython, para que possa encontrar um mestre disposto a treiná-lo. É nesta fase que uma série de eventos culmina numa batalha entre as forças de Gideon e Mando, que irá contar com a preciosa (e inesperada) ajuda de dois aliados poderosos.

Grogu acaba por ser raptado pelos Dark Troopers, uma unidade especial de dróides criados pelo Dr. Pershing e que são praticamente indestrutíveis. Os dois derradeiros episódios desta temporada abordam a preparação da missão de resgate, em que Mando recruta a ajuda de Bo-Katan, Koska Reeves, Cara Dune e os dois aliados que referi anteriormente.

Após um confronto brutal a bordo do cruzador imperial, os nossos heróis conseguem prevalecer, graças a uma ajuda inesperada, que muito possivelmente conclui o arco narrativo que envolve Grogu. A temporada termina num impasse, mas com claros indícios que irá focar-se na recuperação do planeta Mandalore. Confesso que gostaria imenso que o caminho seguido envolvesse a Death Watch e alguns dos eventos que ocorrem em Clone Wars.

Esta série é, sem dúvida, uma lufada de ar fresco, trazendo de volta a emoção ao universo Star Wars, após duas trilogias menos conseguidas. À data, temos confirmação de que a terceira temporada estreia em dezembro de 2021, embora estejam planeados inúmeros projectos para os próximos anos.