Argylle

O mais recente projecto de Matthew Vaughn é essencialmente um filme de espionagem, com uma forte componente de humor. A premissa centra-se em Elly Conway, uma escritora bastante reservada, que criou Argylle, um super-espião que faz as delícias dos seus fãs.

O primeiro acto contém uma cena de ação épica, que decorre num comboio, onde somos introduzidos a Aidan Wilde, um espião que protege Elly de uma tentativa de rapto. Ficamos a saber que The Division, uma organização secreta, pretende recrutar os seus serviços, no sentido de localizar um ficheiro que contém informação sensível. O mais extraordinário é o facto dos seus livros detalharem informação absolutamente real, o que adensa o mistério.

Este filme, conforme referi, é uma comédia, que não se leva muito a sério, combinando cenas de ação com humor constante. A relação entre os dois protagonistas é o clássico amor-ódio, que acaba por sofrer alguns twists, ao longo dos 139 minutos. O elenco conta com nomes sonantes, tais como Henry Cavill, Bryce Dallas Howard, Sam Rockwell, Bryan Cranston, Catherine O’Hara, Dua Lipa, John Cena e Samuel L Jackson.

A narrativa é básica, embora se esforce em criar momentos imprevistos. Apesar de terem uma presença reduzida, Cavill e John Cena são hilariantes, acabando por ofuscar o duo principal, composto por Sam Rockwell e Bryce Howard. Está muito longe de ser algo memorável, mas garante entretenimento, sobretudo pelas cenas de ação, que chegam a roçar o ridículo.

Diria que o ponto mais negativo é a excessiva duração do segundo acto, que pouco contribui para o resultado final. Se procuram o típico filme pipoca, esta pode ser uma boa opção.

Mediano
64%

Witcher: Sirens of the Deep

A Netflix continua a apostar forte no universo de The Witcher. Desta feita, a escolha recaiu numa adaptação muito livre de A Little Sacrifice, da autoria de Andrzej Sapkowski.

A premissa é relativamente simples e transporta-nos para Bremervoord, a cidade natal de Jaskier. Geralt é contratado pelos pescadores para eliminar uma criatura marinha, mas depara-se com uma situação bem mais complexa, que vai suportar a narrativa desta aventura. Existe uma inspiração clara em a Pequena Sereia, numa alusão clara aos sacrifícios que o Amor requer.

Apesar do foco ser a relação impossível entre o principe Agloval e a princesa Sheenaz, existe espaço para a incontornável saga amorosa de Geralt e Yennefer, que está condenada a falhar, precisamente pela incapacidade de ambos cederem nas suas intenções. No entanto, temos a inclusão de Essi, uma barda que se vai converter no interesse amoroso de Geralt.

Adicionalmente, vamos tomar conhecimento do passado de Jaskier, numa clara tentativa de gerar empatia e explicar a sua animosidade para com um dos filhos ilegítimos do Rei. Como não podia deixar de ser, a ação está presente, com destaque para as batalhas com os Vodnik e com a vilã Melusina.

Saliento que a maior virtude desta aventura é a qualidade da animação, que fica a cargo do Studio Mir, Studio IAM, Platige Image e Hivemind. Destaque igualmente para o casting, que adiciona Doug Cockle (a voz dos videojogos), aos actores da série (Joey Batey e Anya Chalotra). numa decisão peculiar, que coloca ainda mais pressão sobre Liam Hemsworth.

Sirens of the Deep está longe de ser brilhante, mas é muito superior a Nightmare of the Wolf. A minha principal crítica vai para a narrativa simples e terrivelmente previsível, que acaba por impactar de forma negativa a experiência global do filme.

No entanto, é uma opção válida, sobretudo para quem é fã da obra de Sapkowski.

Bom
73%

Avatar Live Action T.1

A adaptação live-action da mítica série de animação já se encontra disponível em território nacional, através da Netflix. A minha relutância inicial dissipou-se a meio do primeiro episódio, ao constatar que o casting foi meticulosamente realizado, originando um produto final de qualidade e que é fiel ao seu material original.

O CGI consegue recriar as maravilhosas paisagens dos diversos reinos, com destaque para a Northern Water Tribe e Omashu. Para quem desconhece esta franquia, a premissa narrativa foca-se no Avatar, o único ser que é capaz de dominar os quatros elementos (Ar, Água, Terra e Fogo). Esta lógica mantém o equilíbrio entre as quatro nações, dado que o avatar vai reencarnando em tribos diferentes, a cada geração que passa. No entanto, Aang, o Avatar Airbender, fica congelado no gelo durante 100 anos, desencadeando uma série de eventos que elevam a Fire Nation para uma posição de domínio, sob a liderança do Fire Lord Ozai.

Esta primeira temporada serve de introdução para diversas personagens, com destaque para Katara e Sokka, dois jovens da Tribo de Água, que se vão converter em aliados de Aang, na sua luta para restabelecer o equilíbrio e devolver a paz a todos os reinos. Ficamos igualmente a conhecer o Principe Zuko, que tem a missão de localizar e destruir o Avatar. Lentamente, vamos obtendo informação adicional acerca das suas motivações, assim como a sua relação com o seu Tio, o General Iroh.

Sem relevar spoilers, existem arcos de redenção, que serão certamente explorados ao longos das próximas temporadas. Mas no imediato, diria que este projeto tem uma primeira temporada fabulosa, que me deixa entusiasmado para as muitas aventuras que se seguem. Destaque para o elenco, que conta com Gordon Cormier, Kiawentiio, Ian Ousley, Dallas Liu, Paul Sun-Hyung Lee, Ken Leung, e Daniel Dae Kim.

Fica a minha recomendação para uma série, que para além de ser fiel ao material original, tem a capacidade de angariar novos fãs, graças a uma narrativa forte e que assenta em personagens cativantes.