Time Trap

Hopper é um professor de Arqueologia que parte numa aventura para uma caverna, numa zona remota. Após alguns dias, dois dos seus alunos, Taylor e Jackie resolvem ir procurá-lo, receando o pior. Esta é a premissa de Time Trap, que assenta numa narrativa simplista e terrivelmente pouco credível.

Sem motivo aparente e demonstrando uma enorme irresponsabilidade, os dois jovens decidem levar a sua amiga Cara e dois menores, Veeves e Furby. A sua busca leva-os a uma saliência, em que encontram cordas de escalada, levando-os a tomar a decisão de descer para a caverna. Furby, o mais jovem da expedição, fica no topo, para vigiar e garantir a segurança dos restantes!

A parte mais interessante é precisamente o mistério temporal que envolve a caverna, motivo pelo qual não vou entrar em pormenores. Posso no entanto confirmar que Taylor, Jackie, Cara e Veeves vão encontrar desafios inesperados nesta aventura, que explora vários conceitos de ficção cientifica e de artefactos históricos.

Este é um filme low budget, sendo notória a falta de qualidade nas interpretações. Face à gravidade da situação e aos eventos traumáticos, a narrativa deveria conferir empatia face ao grupo de jovens, mas a realidade é bem distinta. Resolvi dar uma oportunidade a este projecto fruto de alguns artigos que enalteciam alguns dos seus pontos fortes, mas sou incapaz de recomendar este filme aos leitores do blog.

E o ponto mais deprimente é que Time Trap nem sequer alcança o nível dos filmes menos conseguidos de série B do SyFy.

Mau
55%

Under Paris

Xavier Gens é o realizador desta aventura, que narra os eventos que levam a um ataque mortífero de Lilith, um tubarão de barbatana curta. Após a sua equipa ser assassinada, Sophia Assalas aceita uma posição no Oceanário de Paris mas é surpreendida pela visita de Mika, uma jovem que faz parte de uma organização ambientalista. Aparentemente, o marcador de Lilith encontra-se activo, confirmando que se encontra no Rio Sena, algo que é extraordinariamente invulgar para a série.

A premissa de Under Paris centra-se no arco de redenção de Sophia, que tenta auxiliar a Polícia Marítima a capturar o tubarão. À semelhança de Jaws, teremos uma decisão política, que considera mais relevante manter o triatlo, ignorando os alertas de Sophie e de Adil, o líder da equipa. Paralelamente, a interferência de Mika, que desliga o marcador de Lilith, vai criar as condições necessárias para uma verdadeira carnificina no interior das catacumbas da cidade.

Sem revelar spoilers, a equipa vê-se forçada a apostar num plano arriscado, que não terá o resultado esperado. Under Paris é um projeto interessante, com interpretações medianas, mas que tenta manter-se realista, evitando o exagero de filmes como Meg ou Sharknado. O terceiro acto termina num impasse, sendo provável uma sequela, face ao sucesso que este filme tem alcançado na plataforma de streaming.

Caso procurem um filme casual, que garanta entretenimento, esta é sem dúvida uma escolha a considerar.

Mediano
67%

Fallout

A qualidade das adaptaçóes de videojogos tem deixado muito a desejar, no que diz respeito a filmes e séries. No entanto, o sucesso de The Last of Us fez-me ter alguma esperança neste projecto da Amazon Video.

Apesar de ter jogado os dois títulos iniciais, o meu conhecimento do IP era relativamente limitado, mas o primeiro episódio consegue envolver-nos neste universo, criando empatia pelas personagens introduzidas. Graham Wagner e Geneva Robertson-Dworet fornecem uma narrativa fluída, que vai dando contexto ao status quo actual, retratando uma sociedade em que os recursos sáo fundamentais para a sobrevivència.

Sem colocar spoilers, posso adiantar que a narrativa decorre num futuro apocalíptico, em que a tecnologia aparenta ser proveniente da década de 50 ou 60. Existem duas façóes, que tentam localizar um cientista, que tem em sua posse algo que pode mudar o curso da História e que será revelado no final desta temporada.

As personagens principais são Lucy MacLean, uma habitante do Vault 33 , que tenta resgatar o seu Pai, Thaddeus, um escudeiro da Brotherhood of Steel e The Ghoul, um invulgar caçador de recompensas. Apesar de existirem outras narrativas relevantes, é a viagem destes três personagens que alimenta os primeiros oito episódios, que culmina numa batalha sangrenta e que lança os elementos necessários para a próxima etapa desta aventura.

O desenvolvimento das personagens é realizado em paralelo com o desvendar de momentos relevantes do passado, que vão acrescentando peças ao puzzle que compoe a narrativa de Fallout. Em termos de interpretaçoes, destaque para o fantástico Walter Goggins, sem esquecer Ella Purnell, que tem uma interpretação muito competente no papel de Lucy.

Aguardo ansiosamente pela segunda temporada, que terá a dificil missão de superar os primeiros oito episódios. Na minha opinião, este projecto pode vir a converter’se numa sẽrie de culto, se conseguir manter a qualidade demonstrada até ao momento.