Inside Job – Part 2

A segunda metade de Inside Job foca-se em Reagan, que tem a difícil missão de lidar com a loucura do seu Pai, que se (re)converteu no líder da Cognito. Ao longo destes oito episódios, vamos obter mais informação acerca dos Illuminati e das restantes quatro facções (Reptoids, Atlanteans, Catholic Church, Juggalos)  que controlam secretamente o Mundo.

Gostei particular da rivalidade entre Rand e Dietrich, que culmina num confronto épico, que muda o rumo narrativo desta temporada. Adicionalmente, vamos explorar a vida pessoal de Reagan, que acaba por iniciar uma relação com Staedtler, um membro dos Illuminati. Na minha opinião, os episódios 13 e 14 são os mais marcantes desta série, introduzindo Keanu Reeves como namorado de Tamiko e uma missão à cidade de Roma, que visa salvar a Humanidade do Apocalipse.

O humor é uma constante que complementa a narrativa de forma muito competente. Apesar do foco em Reagan, existe algum desenvolvimento das restantes personagens, que culmina num derradeiro episódio, repleto de ação e com a linha temporal em risco de colapsar, em resultado do Projeto X37.

Shion Takeuchi fez um excelente trabalho, sendo relevante destacar o incrível casting a nível de voz. Esta série tem efectivamente muito potencial mas não terá continuidade, em virtude do seu cancelamento pela Netflix. Considero no entanto que existe material e qualidade para investirem tempo nos dezoito episódios que compõem esta temporada.

Sirius The Jaeger

Masahiro Andō é o responsável pela adaptação desta manga, que está disponível via Netflix. A narrativa decorre em 1930 e descreve os eventos de uma fação vampírica que viaja da China para o Japão, com um objetivo oculto. Um grupo de caçadores, denominado como V Shipping Company segue no seu encalço, com o objetivo de os exterminar.

Como seria expectável, os primeiros episódios apresentam as personagens e o seu passado, com destaque para Yuliy, um lobisomem que tenta vingar o assassinato da sua família e tribo. Adicionalmente, vamos tomar conhecimento do objetivo dos vampiros, que pretendem utilizar um artefacto denominado como “Ark of Sirius” para dominar o Mundo.

O ponto fulcral da narrativa é sem dúvida Yuliy, que irá encontrar alguns fantasmas do seu passado e tomar decisões complexas que vão no sentido oposto das suas crenças. A restante equipa é composta pelo Comandante Willard, Dorothea, Philip e Fallon, que apresentam uma dinâmica cativante e complementam as fantásticas cenas de ação que vamos ter ao longo destes doze episódios.

Yevgraf é o vilão principal e o responsável pelo extermínio da tribo Sirius, em Dogville. O seu arco narrativo, na minha opinião, acaba por ser um dos pontos mais fracos deste anime mas diria que, no geral, vale a pena o investimento de tempo.

O desfecho é aberto, podendo originar uma segunda temporada e as personagens de Ryoko Naoe, Mikhail Jirov, Bishop e Hideomi Iba são uma mais valia em termos de entretenimento, elevando o resultado final de Sirius The Jaeger.

Everything Everywhere All at Once

Rotulado como uma comédia dramática focada numa temática de ficção científica, este filme arrebatou os Óscares de 2023. A produção ficou a cargo dos irmãos Russo, cabendo a Daniel Kwan e Daniel Scheinert o argumento e realização.

A narrativa foca-se em Evelyn Quan Wang, uma emigrante chinesa que tenta ser bem sucedida no competitivo mercado capitalista dos Estados Unidos. O negócio não corre particularmente bem, o que gera a necessidade de uma inspecção por parte das Finanças, dando início a uma sequência de eventos que a fará tomar conhecimento de Alpha-Waymond, uma versão do seu marido, que é proveniente do Alphaverse.

Ficamos a saber que existe uma vilã, apelida como Jobu Tupaki, que está a destruir universos, por motivos que irei manter no anonimato. Este filme explora de forma muito simples temas complexos, tais como a depressão, a forma como a homosexualidade é encarada por culturas mais tradicionais e a próprio sentido da vida, numa perspectiva de sucesso profissional e evolução humana.

As interpretações de Michelle Yeoh , Stephanie Hsu, Ke Huy Quan, Jamie Lee Curtis e James Hong são uma mais valia para uma narrativa, que em certos momentos nos leva para cenários e universos que podem retirar alguns espectadores do filme. Pessoalmente, considero que Everything Everywhere All at Once não necessita de 140 minutos, embora o derradeiro acto esteja muito bem conseguido e transmita uma mensagem positiva e de esperança.

De forma a evitar spoilers, vou focar-me pouco nos detalhes do enredo, mas posso adiantar que Evelyn vai ser capaz de sentir os inúmeros multi-versos de forma simultânea, o que lhe permite aceder ao conhecimento e capacidades inatas de todas as suas versões. Existem momentos que nos fazem recordar o filme original de The Matrix, sendo igualmente relevante destacar as coreografias de luta, que estão muito bem conseguidas.

Esta é sem dúvida uma experiência diferente, que não irá de encontro ás expectativas de todos, mas que se revelou interessante para mim. Por esse motivo, termino com uma avaliação positiva e faço a recomendação, salientando as virtudes deste inesperado projeto.

Bom
74%