Ender´s Game

A obra literária de Orson Scott Card é o ponto de partida para esta adaptação, que nos conta a história de Ender, uma criança sobredotada que vai ser treinada para liderar a Humanidade na sua maior batalha de sempre.

A premissa é simples: cinquenta anos após uma invasão frustrada por parte dos Formics, o Planeta Terra lança uma contra-ofensiva que visa aniquilar essa espécie e recorre a crianças para liderar a frota. A capacidade de análise táctica e adaptabilidae é o motivo invocado para tal escolha, que acaba por ser questionada diversas vezes por todo o filme.

Tendo lido a obra original, confesso que a adaptação para Hollywood fica muitos furos abaixo, o que seria expectável e frequente neste tipo de projectos. Existem pontos importantes que são omitidos da narrativa e que na minha opinião influenciam a interpretação do espectador. O livro tem o poder de nos envolver imenso na experiência e evolução da moralidade de Ender, que vai questionando os seus métodos e proporciona vários momentos de pensamento livre, em que tentamos compreender os efeitos nocivos de tal evento na mente de uma criança.

Em termos do filme, Harrison Ford, Viola Davis e Ben Kingsley têm uma boa presença, mantendo o nivel de qualidade que Ender´s Game necessita mas como referi fica aquém das minhas expectativas. Quem estiver interessado num filme de ficção científica deve ver os 120 minutos por completo mas na minha opinião sugiro que leiam o livro, que é francamente superior e tem um desfecho mais completo e que traz muito sentido a toda a experiência que envolve Ender.

Como é habitual evitei os spoilers, pelo que não vou entrar em detalhes mas caso tenham lido a obra e queiram discutir alguns pontos estejam à vontade para utilizar a caixa de comentários.

Os Filmes de 2015

Com o aproximar do Natal, começa igualmente a ser necessário pensar no ano de 2015, o que no meu caso representa uma leve dissertação relacionada com os filmes que mais hype me estão a causar. Tratam-se naturalmente de escolhas pessoais, pelo que é perfeitamente natural que discordem de muitos destes filmes. Convido-vos a opinar e deixar as vossas sugestões neste espaço. Sem mais demoras, eis as minhas escolhas:

Quentin Tarantino está de volta e embora ainda não exista data definida tudo aponta para o mês de Dezembro. Hateful Eight é uma mais um western, que decorre na época pós-guerra civil e que tem como pano de fundo uma gigantesca tempestade e uma série de mal entendidos. Um filme que certamente será mais um êxito do mestre Tarantino.

Num ano repleto de estreias épicas, não há como evitar falar em Star Wars – The Force Awakens. Apesar de todo o secretismo em redor do projecto, penso que o enredo irá coincidir com as novelas gráficas, o que me deixa francamente entusiasmado. Mas estou a tentar não entrar em forcegasm, porque sucedeu o mesmo aquando do episódio I e tive de suportar o Jar Jar Binks lol.

Tom Hardy é o rosto do novo Mad Max, outro regresso que ocorre a 15 de Maio. Este projecto tem sido adiado consecutivamente mas vê finalmente a luz do dia e espero que possa fazer jus aos épicos filmes de Mel Gibson, até porque o Road Warrior assim o merece. Em Maio, mas no dia 1, chega ás salas Avengers – Age of Ultron, que tem toda a minha atenção. Depois do sucesso colossal do primeiro filme, não acredito que a Marvel possa falhar. Conto que este seja muito possivelmente o número um da lista.

Para terminar, estou ansioso pela chegada de Inside Out, da Pixar, que ocorre em 19 de Junho. O facto de ser uma abordagem diferente desse estúdio leva-me a crer que temos um diamante em bruto para lapidar. E assim sendo, faltam apenas nomear os dark horses para 2015: The Seventh Son, Jurassic World (12 Junho) e Assassin´s Creed (7 de Agosto) são as minhas escolhas. O maior risco é claramente o último, apesar do jogo ter um enredo francamente interessante. A adição de Michael Fassbender ao elenco, aliado a tudo o que envolve o Animus, faz-me crer que pode ser uma bela surpresa.

Agora resta esperar por 2015 e comprovar as minhas opiniões.

Interstellar

Christopher Nolan regressa com um filme que muitos compararam a 2001 – Odisseia no Espaço, do mestre Kubrick. Confesso que era um dos filmes mais aguardados por mim em 2014 e Interstellar cumpre a sua função, sendo claramente uma das melhores experiências cinematográficas do ano. O elenco é de luxo, com destaque para Matthew McConaughey, Anne Hathaway, Michael Cane, John Lithgow, Matt Damon, Topher Grace e Casey Affleck.

Num futuro próximo, o planeta Terra está a uma geração de se tornar inabitável, situação desconhecida para a população em geral. Cooper, em ex-engenheiro e piloto da NASA, tem uma vida de agricultor e vive com os seus dois filhos, numa quinta, à semelhança de grande parte da sociedade. Sem necessidade de armas, a população está mais estratificada do que nunca, numa clara tentativa de sobreviver ás pragas e à escassez de alimentos que assola o planeta.

A filha de Cooper, Murph, encontra acidentalmente uma anomalia relacionada com a gravidade, que desencadeia uma série de eventos, que resultam na criação de uma equipa, com o objetivo de explorar alguns destinos habitáveis para a sobrevivência da raça humana. E penso que nesta fase o melhor será não entrar em pormenores, de forma a evitar spoilers. A narrativa está muito bem estruturada, tem diálogos fantásticos e Nolan consegue direccionar o espectador para onde pretende, numa espécie de dissertação acerca da capacidade de sobrevivência, da adaptabilidade do ser humano, a busca pelo desconhecido e claro da fé inabalável que muitos questionam.

Interstellar é efectivamente um filme de ficção científica, tem inclusivé muitas noções actuais relacionadas com buracos negros, viagem no tempo, dimensões e a inevitável teoria da relatividade de Einstein, mas é muito mais do que isso. Estamos perante uma experiência que tocará cada um de nós de forma diferente e em que possivelmente chegaremos a conclusões distintas mas não tenho dúvidas em sugerir que vão ao cinema, se possível, ao IMAX.

Existem pormenores soberbos que gostaria de debater, mas parece-me mais adequado não estragar a surpresa a quem ainda não viu esta obra prima de Nola (mais uma). Para concluir, apenas uma nota de rodapé: apesar de colocar este filme muito alto na minha lista, não considero que seja superior a 2001 – Odisseia no Espaço, mas penso que tal seria extremamente ambicioso.