The Lost City

Loretta Sage é uma reconhecida escritora de romances, que se encontra com dificuldade para concluir o derradeiro capítulo da saga da Dra Angela Lovemore e Dash McMahon. A morte do seu marido teve um impacto negativo profundo, originando uma reclusão extrema. De forma a aumentar as vendas, Beth Hatten, a sua agente, insiste numa série de eventos publicitários, que irão decorrer em vários pontos dos EUA.

O primeiro resultado é catastrófico, em consequência da inexistência de qualquer química entre Loretta e Alan. E é precisamente nesta altura que o argumento entra no apogeu da loucura. Os livros da nossa “heroína” são baseados em factos históricos, o que leva o milionário Abigail Fairfax a raptá-la, com o intuito de encontrar a “Coroa de Fogo”. De forma pouco subtil, tomamos conhecimento que o marido de Lovemore era um arquéologo, que partilhava a sua paixão por civilizações antigas. Dado que o tema dos seus livros era financeiramente pouco atractivo, Loretta foi forçada a utilizar o tema do romance, de forma a serem publicados.

Dash assiste ao rapto e torna a sua missão resgatar a escritora, com o intuito de provar que é mais do que um modelo para a capa dos seus livros. Assim sendo, informa a sua agente e recorre aos serviços de Jack Trainer, um ex-militar, que é perito em missões deste estilo. Existem momentos perfeitamente hilariantes, complementados com cenas de ação, que vão lentamente reduzindo a assimetria entre as duas personagens.

Dito isto, não esperem densidade narrativa, dado que o objetivo The Lost City é garantir entretenimento durante 112 minutos. O trio composto por Sandra Bullock, Channing Tatum e Daniel Radcliffe sustentam a narrativa de forma competente, mas devo confessar que as minhas personagens preferidas são Jack Trainer (Brad Pitt) e Beth Hatten (Da’Vine Joy Randolph), que são simplesmente hilariantes ao longo do filme.

Existe uma cena final, a meio dos créditos, que é interessante face aos eventos do filme. Se procuram um filme para ver numa tarde de domingo, diria com convicção que esta é uma boa escolha.

Mediano
66%

Moonfall

Roland Emmerich está de regresso com mais um “disaster movie”, em que a Terra está novamente em risco. O primeiro acto leva-nos a 2011, mais especificamente a uma missão da NASA, em que três astronautas são atacados por uma estranha entidade. Brian Harper, o líder da missão, acaba por escapar, salvando um dos membros da tripulação mas a sua descrição dos factos leva-o a cair em descrédito público, acabando por ser dispensado.

A narrativa avança uma década e vamos acompanhar K.C. Houseman, que tem uma teoria polémica, considerando a Lua como uma mega-estrutura artificial. Numa das suas incursões acaba por descobrir que a Lua saiu de órbita, o que terá consequências desastrosas para  o nosso planeta. A partilha desta informação com Harper não corre da melhor forma, o que origina a partilha nas redes sociais, algo que vai criar o pânico generalizado e forçar a NASA a admitir este cenário.

Os cálculos iniciais dão uma previsão de três meses para a Lua afectar inevitavelmente a vida como a conhecemos. Para complicar, a missão da NASA à Lua corre da pior forma possível, com o assassinato da tripulação por parte da estranha entidade que é introduzida no primeiro acto.

O resto da narrativa vai permanecer em anonimato, mas podem contar com cenas completamente over the top e uma missão épica para o centro da Lua, em que vamos testar a veracidade da teoria de K.C. Houseman. O elenco tem nomes sonantes tais como Halle Berry, Patrick Wilson, John Bradley e Michael Peña, num filme que garante entretenimento e representa bem este estilo de cinema de Emmerich. A pandemia mudou radicalmente os meus hábitos e as deslocações ao cinema converteram-se uma raridade, motivo pelo qual esperava pelo lançamento de um blockbuster.

Moonfall está longe de ser um filme memorável mas tem o factor “pipoca”, reavivando a minha memória do tempo em que o cinema era um evento social. Fica a minha recomendação e o convite para partilharem se irá converter-se num “guilty pleasure” para o futuro.

Mediano
64%

The Batman

Apesar do choque inicial este projeto foi ganhando a minha confiança, convertendo-se num dos filmes que mais ansiava ver em 2022. Vamos acompanhar o segundo ano de combate ao crime do nosso herói, numa fase em que a corrupção assola por completo Gotham.

A atmosfera sombria está muito bem recriada e o primeiro acto é fabuloso, introduzindo as personagens principais e  a premissa narrativa que vai suportar as quase três horas de filme. Um misterioso serial killer aterroriza a cidade, assassinando algumas das principais figuras políticas, no sentido de revelar a sua verdadeira “identidade”. Adicionalmente, cada cena do crime tem uma mensagem específica para Batman, no formato de adivinha.

O tenente James Gordon solicita o auxílio de Batman para a investigação, algo que não cai bem no seio da GCPD, sendo notório o desconforto ao longo de todo o filme. Conforme referi no parágrafo inicial, vamos acompanhar a génese do nosso herói, que recorre a dedução e investigação, apesar de termos várias cenas épicas de ação.

Apesar da utilização de tecnologia topo de gama, o foco reside na componente humana, o que eleva este filme a um patamar elevado. Temos igualmente uma panóplia de figuras relevantes no universo de Batman, tais como The Riddler, Alfred, Selina Kyle, Gordon, Oz e Falcone, que conferem uma ligação à franchise, sobretudo para os fãs mais hardcore.

Matt Reeves fez um trabalho fantástico, com uma narrativa envolvente, complementada com uma excelente fotografia e uma banda sonora soberba. No que diz respeito a actores, destaque para o trabalho de caracterização de Colin Farrell, que está irreconhecível. Robert Pattinson e Zoë Kravitz formam uma boa dupla, com a química necessária para serem convincentes.

No entanto, gostaria que o filme tivesse mais foco na personagem de Bruce Wayne, algo que ficou praticamente esquecido, assim como a sua relação com Alfred. Enquanto Batman, sem dúvida que Pattinson cumpriu mas fica a dúvida no que diz respeito à sua vida de magnata e celebridade de Gotham.

No final do terceiro acto, temos a inevitável introdução de Joker, que tem um diálogo interessante com The Riddler, numa das celas de Arkham. Em conclusão, fiquei agradado com a qualidade desta nova adaptação de Batman e fico ansioso pela confirmação de uma trilogia, para podermos expandir e introduzir mais vilões.

Bom
82%