Scream 2022

Vinte cinco anos após o massacre inicial, estamos de regresso a Woodsboro. O primeiro acto tem uma abordagem clássica, introduzindo Tara Carpenter, uma estudante que sobrevive ao ataque de Ghostface. A sua irmã, Sam regressa à pacata cidade, com um passado oculto e que vamos descobrir ao longo deste filme.

A narrativa é simples e assenta nos clichés habituais, criando a dúvida sobre quem é o assassino. O elenco é reforçado com a participação de Sidney Prescott, Gale Weathers e Dewey Riley, três personagens que dispensam apresentação. Existem alguns momentos bem conseguidos, mas não esperem um clássico do género. Há uma preocupação em homenagear a base de fãs da trilogia original e expandir este universo para a geração futura.

Como habitualmente, vou evitar os spoilers mas diria que apesar de previsível, cumpre a sua função de entretenimento. Longe vão os tempos em que era um entusiasta deste género cinematográfico mas diria que existe valor para investir 90 minutos neste projeto. O terceiro acto é, na minha opinião, o mais fraco, embora dê uma conclusão à saga de Woodsboro.

Espero sinceramente que este tenha sido a derradeira aventura de Scream. Diria que a fórmula está esgotada no formato atual, sendo notório neste filme, com alusões constantes a Billy Loomis e outras referências da trilogia original. Considero inclusivamente que este projeto seria substancialmente melhor, se não tivesse a presença de Sidney, Gale e Dewey, apesar de ser um fã das personagens.

Mediano
65%

Spider-Man: No Way Home

Este filme retoma os eventos de Far from Home, em que Peter tenta lidar com a revelação da sua identidade. O primeiro acto mostra-nos precisamente as consequências imediatas, com a perda de privacidade e o escrutínio da opinião pública. A sua vida pessoal é afectada, assim como a da MJ e Ned, que não conseguem colocação universitária.

Em desespero de causa, Peter resolve falar com Dr Strange, que recomenda uma feitiço para que todos se esqueçam da sua identidade. Durante esse ritual, as constantes alterações solicitadas por Parker criam uma explosão, que é contida pelo Sorcerer Supreme e o leva a abandonar esta solução.

O nosso herói resolve então falar com a reitora do MIT, que se encontra a caminho do aeroporto. E é precisamente a partir deste momento que o Multiverso se converte no ponto central da narrativa. Aparentemente, o feitiço “falhado” n~o foi totalmente contido por Dr Strange, atraindo para a nossa realidade todos os vilões que conhecem Spider-Man.

Começamos por uma cena de acção com Doc Ock e Green Goblin, mas teremos igualmente a presença de Electro, Lizard e Sandman, recriando parte dos Sinister Six. Há igualmente uma componente mais humorística, no sentido de retirar alguma da carga dramática que vai atingir o seu clímax no segundo acto, com mais uma perda na vida de Peter Parker.

Como habitualmente vou evitar os spoilers mas teremos mais algumas participações especiais, que remontam aos universos alternativos de Spider-Man, o que, na minha opinião, converte No Way Home num dos filmes mais icónicos da Marvel. A acção e o CGI são de elevada qualidade e a narrativa é consistente, culminando num terceiro acto repleto de acção e com um desfecho que antevê o fim de ciclo deste herói na MCU.

Não é a primeira vez que este cenário é alterado, com novo acordo entre a Sony e a Marvel, o que pode vir a acontecer, tendo em conta o incrível resultado de bilheteira, de 1.8 mil milhões de euros.

Bom
83%

Death on the Nile

Kenneth Branagh está de regresso no papel de Poirot. Após o Expresso do Oriente, a escolha recaiu noutro livro icónico de Agatha Christie, que decorre maioritariamente no Egipto.

O primeiro acto mostra-nos um jovem Poirot, em pleno cenário da Primeira Grande Guerra Mundial. A informação que recolhemos é relevante e tem impacto para o resto do filme, dado que humaniza a personagem e dá algum contexto para o acto final de Death on the Nile.

O filme original é um clássico e esta adaptação mantém-se relativamente fiel, retratando o assassinato de Linnet Ridgeway-Doyle, herdeira de uma vasta fortuna e que se encontrava em lua de mel.

Sem colocar spoilers, Poirot vai ser o investigador principal deste caso, que é bem mais complexo do que inicialmente possa parecer. Lentamente, vão sendo reveladas a agenda oculta dos convidados a bordo,

O elenco é de luxo, destacando-se Annete Benning, Kenneth Branagh, Russell Brand, Gal Gadot, Dawn French, Armie Hammer, Emma Mackey e Letitia Wright.

A realização fica a cargo de Branagh e Ridley Scott garante a produção, que consegue retratar com credibilidade o ambiente da época. Pessoalmente, considero-o superior ao primeiro filme, embora fiquem aquém do projeto original, lançado em 1978.

Mediano
69%