Supergirl T.4

A quarta temporada vai introduzir uma panóplia de novas personagens, assim como tomar algumas decisões que pouco acrescentam à narrativa. O DEO está a passar por profundas mudanças e o receio da Humanidade para com os extra-terrestres atinge um máximo histórico, o que fomenta o aparecimento de movimentos radicais.

É nesse contexto que vamos acompanhar a subida ao poder de Ben Lockwood, um modesto professor de História que se vai converter no líder da organização Sons of Liberty. Kara vai lidar com problemas pessoais, que a forçam a tomar decisões complexas para defender a sua identidade secreta.

Em termos de narrativa, o enredo é francamente mais complexo nesta temporada, o que faz sentido tendo em conta os desenvolvimentos dos últimos seis episódios. Contem com o aparecimento de Otis e Mercy Graves, assim como de Manchester Black, que acabam por ser os catalisadores de mudanças que afectarão Supergirl e o Martian Manhunter.

Sensivelmente a meio desta temporada, vamos ter o aparecimento de mais uma heroína (Dreamer) que irá fazer parte da equipa e ter uma relação curiosa com Brainy. O Haruo-El acaba igualmente por ser uma componente crucial para o desfecho desta temporada, que deixa deliberadamente “pontas soltas”, sobretudo no que diz respeito a Lena Luthor, Brainy e à organização Leviathan.

Como vem sendo hábito, a última cena lança a premissa para um dos prováveis vilões, que é libertado na Terra por The Monitor. Pessoalmente, considero que esta temporada tem algumas ideias interessantes, sobretudo no que envolve a família Luthor e a Red Daughter. Gostaria de que as personagens de Manchester Black e Agent Liberty tivessem sido mais relevantes e no global diria que gostei mais da temporada anterior. Há no entanto muito potencial para recuperar o tempo perdido, ao contrário do que vi em The Flash e Green Arrow.

Iron Fist T.1

A narrativa acompanha as aventuras de Danny Rand, o único sobrevivente de um acidente de avião nos Himalaias. Completamente ausente da sociedade há 15 anos, Danny regressa a uma cidade de Nova Iorque diferente e rapidamente compreende que terá um árduo caminho pela frente, no sentido de comprovar a sua identidade aos Meachums, que controlam a empresa da qual é o legítimo herdeiro.

Os episódios iniciais mostram-nos o que realmente aconteceu, confirmando que o nosso herói foi resgatado pelos monges de K’un-Lun, que o treinaram para enfrentar The Hand, uma perigosa organização criminosa, que nos foi apresentada na segunda temporada de Daredevil.

De acordo com as tradições locais, Danny acaba por alcançar o poder de Iron Fist, que lhe permite concentrar o chi e cumprir a sua função de “inimigo mortal” da Hand, que é aparentemente liderada por Madam Gao.

Esta primeira temporada concilia duas sub-narrativas, em que acompanhamos a luta legal pelo reconhecimento de Danny como herdeiro e o desenvolvimento de várias personagens, das quais destaco os Meachum (Harold, Joy e Ward). Existem momentos deliciosos, em que assistimos ao choque entre o mundo corporativo e a ideologia de Rand, que prima por ajudar o próximo e ignorar o lucro.

Todos este pormenores servem para moldar o carácter do nosso herói, que irá igualmente ser influenciado por Gao, Bakuto, Colleen Wing e Harold Meachum. Gostei igualmente da  continuidade em termos de universo Marvel, com a presença de Claire Temple e Jeri Hogarth, que farão a devida ligação a outras séries heróis (The Defenders).

As cenas de luta estão bem coreografadas e apesar de existirem algumas inconsistências na narrativa, esta primeira temporada consegue ganhar crédito suficiente para que invista tempo na segunda.

Luke Cage T.1

Após a sua aparição em Jessica Jones, Luke Cage está de regresso, numa aventura que irá decorrer maioritariamente em Harlem. Vamos tomar conhecimento de toda a história em redor de Carl Lucas, assim como os pormenores da sua estadia em Seagate, onde foi alvo de experiências médicas.

Luke é um funcionário da barbearia de Pop, um local icónico do bairro e que é considerado terreno neutro para as várias facções criminosas que controlam a zona. Tudo começa a correr pelo pior quando Cage é persuadido por Pop a encontrar um jovem (Chico), que se encontra envolvido nos negócios de Cottonmouth (Maershala Ali), o mais poderoso criminoso daquela zona.

É nesta altura que vou evitar os detalhes (spoilers), salientando apenas que existirá um catalisador para uma mudança profunda em Luke Cage, que faz da sua missão eliminar o crime da zona de Harlem. O facto de ser negro e à “prova de bala”, torna-o num herói local, o que chama a atenção de Shades por consequência Diamondback, o líder máximo do crime organizado.

Vamos igualmente tomar conhecimento dos jogos de bastidores políticos, na figura de Mariah Dillard, assim como de um aliado inesperado de Luke na Polícia (Misty Knight). Contem com situações inesperadas, traições constantes e mudanças de facção, tudo com o intuito de subir na cadeia do poder e obter riqueza.

Gostei particularmente da inclusão da personagem de Claire Temple (Rosario Dawson), que dá uma continuidade necessária à série. Apesar do ritmo lento da primeira metade da temporada, o desenvolvimento de personagens é fundamental para dar um sentido de urgência ao que ocorre nos derradeiros episódios.

Vamos ter uma batalha final épica entre Diamondback e Luke Cage e um cliff hanger interessante para o derradeiro episódio. Nem tudo é perfeito em termos de narrativa mas no global considero que estamos perante um excelente início para esta personagem. Como sempre, conto com a vossa participação e sentido crítico, no sentido de iniciarmos um debate construtivo.