Captain America: Brave New World

A primeira aventura cinematográfica de Sam Wilson como Capitão América introduz algumas novidades interessantes, tais como a organizacão Serpent, o conceito de adamantium e um vilão bem conhecido da Marvel Comics. Adicionalmente, reintroduz o General Thaddeus Ross, agora interpretado por Harrison Ford e recupera algumas personagens de Falcon & Winter Soldier, mais especificamente Isaiah Bradley e Joaquin Torres.

Como é apanágio, evito partilhar spoilers, mas posso adiantar que o primeiro acto tem a habitual cena épica de acção e lança a premissa narrativa que suporta Brave New World. Após os eventos de The Eternals, a Ilha Celestial, onde se encontra Tiamut, e dispustada por vários países. Ross, o novo presidente dos EUA, tenta mediar um tratado, que visa partilhar o adamantium e os restantes recursos. No entanto, um incidente coloca tudo em causa, levando a uma investigação que irá expor um passado obscuro, assim como Copperhead e Sidewinder, duas figuras importantes da Serpent.

Brave New World tem uma narrativa previsível, em que somos bombardeados com inúmeras pontas soltas de outros projectos da Marvel, sem grande explicação. Ficamos igualmente a saber que os eventos de The Incredible Hulk fazem parte desta linha temporal, algo que é explorado de forma recorrente, embora sem grandes repercussões.

Um dos pontos positivos é a introdução de Ruth Bat-Seraph e Joaquin Torres, que representam essencialmente os novos aliados de Sam Wilson. No global, estamos perante um bom filme de acção mas em que falta identidade. Estamos num periodo de transição mas parece-me redutor insistir em pontos que já foram visados na série, com a agravante de existir pouca progressão a nível narrativo.

Adicionalmente, e tendo em conta a relevância do vilão, gostaria que o mesmo tivesse um papel mais activo, mas o foco de Brave New World é inequivocamente Thaddeus Ross. No cômputo global, é uma experiência agradável, mas fica muito aquém dos primeiros filmes de Capitão América. E conforme mencionei, apesar de algumas ideias e conceitos interessantes, a narrativa pouco ou nada ajudou a progredir a MCU.

Mediano
70%

O Silo T.2

A aventura da Xerife Nichols continua, agora que conseguiu finalmente sair para o exterior do Silo. Vou tentar tecer as minhas considerações, sem revelar demasiados pormenores, o que pode ser algo complicado. Essencialmente, a nossa protagonista chega a um outro silo, em que se vai deparar com uma realidade inesperada.

Lentamente, vamos recebendo pequenas peças do puzzle, que nos vão permitir compreender a linha temporal que levou aos eventos actuais. Nesta segunda temporada, a narrativa alterna entre Juliette e a luta pela manutenção da ordem no Silo, que continua a ser liderado por Bernard Holland. A adição de Solo, o único sobrevivente do silo em que se encontra Juliette, é fundamental para compreendermos algumas decisões, assim como final épico desta temporada, que culmina numa cena absolutamente fantástica.

A Mecânica, liderada por Knox e Shirley, vai adoptar uma postura muito agressiva, na tentativa de obter a verdade acerca do que existe fora do Silo. A ambição de Sims acaba, ironicamente, por traí-lo, colocando-o numa situação precária, que favorece Lukas Kyle, que se converte no aprendiz de Bernard. Existe toda uma narrativa, que explica uma pequena parte do passado e da origem dos Silos, algo que será certamente explorado na terceira temporada.

Os eventos que levam ao confronto entre a Mecânica e Bernard está muito bem conseguido, assim como o mistério em redor de Salvador Quinn, cujo código acaba por ser decifrado por Lukas Kyle, num dos derradeiros episódios desta temporada. Conforme mencionei anteriormente, terminamos num impasse, mas obtemos informação relevante, confirmando-se a existência de 50 silos, que são comandados por uma entidade que será relevada em episódios futuros.

Esta é, sem dúvida, uma das melhores séries da actualidade, garantindo uma narrativa fantástica, excelentes interpretações e uma sequência de eventos que nos deixa sempre entusiasmados com o episódio seguinte. Estão confirmadas mais duas temporadas, com o objectivo de apresentar a conclusão desta aventura.

E caso ainda não o tenham feito, recomendo novamente a leitura da obra literária de Hugh Howie.

Elevation

A narrativa decorre em Front Range, no Colorado e acompanha um grupo de sobreviventes, que vive acima dos 2400 metros de altitude. No primeiro acto, somos introduzidos à premissa narrativa, que se foca nos Reapers, uma nova raça de predadores, que surgiu do interior da Terra e aniquilou 95% da Humanidade.

Hunter, o filho de Will sofre de complicações respiratórias, resultado de deficiência nos pulmões, necessitando duma máquina para o ajudar a respirar em períodos de crise. Quando o último filtro é utilizado, surge a necessidade de entrar em território controlado pelos Reapers, na tentativa de alcançar o hospital. É desta forma simples que recebemos a maior parte da informação necessária para alimentar uma narrativa, que se foca na luta pela sobrevivência de Hunter, mas que lentamente se converte numa missão para identificar um ponto fraco nos predadores insaciáveis, que caçam através da detecção de partículas de dióxido de carbono no ar.

Elevation é um projecto de baixo custo (18 milhões), que aposta em espaços fechados, tais como o hospital e as minas para transmitir um sentimento de claustrofobia e aumentar a carga emocional. Não contem com muitas explicações, sobretudo no que diz respeito à origem dos Reapers, uma decisão que visa igualmente potenciar o mistério em redor destas estranhas criaturas.

O segundo acto narra a aventura de Will, Nina e Katie, que contra todas as adversidades, conseguem alcançar o hospital e, mais tarde, o laboratório em que Nina trabalhava. As cenas de acção estão bem conseguidas e as interpretações de Anthony Mackie e Morena Baccarin são sólidas, convertendo este projecto numa experiência agradável.

Apesar da sua simplicidade, Elevation consegue captar a atenção do espectador e, sem entrar em demasiados detalhes narrativos, envolver-nos neste universo, em que a descoberta de Will e Nina é comunicada por bandeiras e, mais tarde, via rádio.

Existe uma cena pós créditos, que lança uma potencial sequela, que, à data de elaboração deste artigo, permanece por confirmar.

Mediano
67%