Top 5 – 2023

O final da pandemia poderia ter influenciado os meus hábitos cinematográficos, mas a realidade é que continuo a utilizar maioritariamente as plataformas de stream para consumo de filmes e séries. Dito isto, estou a visionar os filmes com vários meses de atraso, mas com o meu actual backlog, consigo facilmente manter um ritmo consistente de conteúdo para este espaço.

Em 2023, estes foram os filmes que conquistaram, por mérito próprio, um lugar de destaque no Top 5. Quero apenas deixar uma menção honrosa para Tenet, Dead Reckoning Part One e Bullet Train, que embora tenham ficado de fora, são projetos absolutamente recomendados.

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Kraven’s Last Hunt

Ao longo dos últimos meses tenho lentamente revisitado alguns livros icónicos da Marvel e DC. Desta vez, a escolha recaiu em Kraven, o meu vilão preferido do Spider-Man, que tem um arco verdadeiramente épico em Last Hunt.

Esta histórica foi criada por J. M. DeMatteis e Mike Zeck, no distante ano de 1987 e narra o derradeiro plano de Sergei Kravinoff para derrotar o seu arqui-inimigo. A narrativa é bastante sombria e foca-se no momento delicado de Peter Parker, que contempla a sua própria mortalidade, após os eventos que levaram à morte de Ned Leeds.

Adicionalmente, Kraven sente-se frustado pelo facto de não conseguir inserir-se na sociedade actual, o que maximiza a sua incapacidade de lidar com o fracasso nas batalhas com Spider-Man. Num acto de desespero, toma a decisão de combinar várias poções, com o objetivo de caçar Vermin sem o apoio de armas.

Com a ajuda de tranquilizantes, Kraven consegue dominar o nosso herói, enterrando-o com uma lápide personalizada. Posteriormente, veste-se de Spider-Man e segue para NYC, espancando criminosos e semeando o terror pela cidade. Numa das suas patrulhas, acaba por salvar Mary Jane de um assalto, que fica extremamente preocupada, dado que tem a certeza que não se trata do seu marido, o que a faz temer pela segurança de Peter Parker.

Kraven toma a decisão de capturar Vermin, um canibal que vive nos esgotos e que levou Spider-Man ao seu limite, requerendo a ajuda do Capitão America para derrotar este poderoso adversário. Motivado pelos seus actos e com a ajuda das suas poções, consegue facilmente derrotar Vermin, que pensa ter sido capturado pelo Spider-Man.

Como é habitual, vou evitar os spoilers mas o acto final é extremamente interessante, embora francamente sombrio. Estamos perante um livro que se foca na personagem de Sergei Kravinoff  e a sua obsessão por derrotar a sua derradeira presa. No entanto, existe algo de diferente neste vilão, que segue um código de conduta nobre e que tenta sempre desafiar-se, sem desequilibrar a balança a seu favor.

Conforme mencionei, este arco narrativo marcou o desaparecimento de Kraven, no que diz respeito a novas histórias. Foi necessário esperar pelo ano de 2009 para o regresso deste invulgar caçador, que tem em Last Hunt um dos momentos mais marcantes da sua existência no universo Marvel. Fica a minha recomendação, caso estejam interessados em conhecer ou revisitar a personagem de Sergei Kravinoff .

A Haunting in Venice

Após a aventura no Nilo, o belga mais famoso do Mundo escolhe Veneza para usufruir da sua reforma. O primeiro acto transporta-nos para 1947, introduzindo o quotidiano de Poirot, que contratou os serviços de Vitale Portfoglio para sua proteção. A pacata existência, com a busca pelos prazeres simples da vida, parece ter seduzido o o ex-detective, que se encontra claramente desiludido com o rumo da Humanidade.

Na véspera de Halloween, Ariadne Oliver faz uma visita, para apresentar um desafio ás células cinzentas do belga mais conhecido do Mundo. Essencialmente, pretende assistência para identificar os métodos fraudulentos de Joyce Reynolds, uma psíquica que afirma conseguir falar com os espíritos. De forma algo relutante, Poirot concorda deslocar-se ao local escolhido, um ex-orfanato, que serve de residência para Rowena Drake, uma famosa cantora de ópera que perdeu recentemente a sua filha.

Poirot consegue rapidamente expor alguns dos truques da psíquica, que propõe uma segunda sessão, para tentar obter informação adicional acerca da morte da jovem. Lamentavelmente, Joyce Reynolds acaba por ser assassinada, em circunstâncias peculiares, o que leva ao início de uma investigação, que terá ramificações inesperadas.  O segundo acto foca-se na investigação e nos elementos paranormais que envolvem este crime, que coloca à prova as capacidades do detective belga.

Sem colocar spoilers, posso adiantar que o desfecho é distinto da obra literária (Halloween’s Party) de Agatha Christie, assim como da série televisiva. Na minha opinião, é o filme mais fraco da trilogia de Kenneth Branagh, mas continua a proporcionar uma experiência positiva. O elenco é competente, destacando-se os nomes de Kyle Allen, Camille Cottin, Jamie Dornan, Tina Fey, Jude Hill,  Emma Laird, Kelly Reilly, Riccardo Scamarcio e Michelle Yeoh.

Se procuram uma adaptação fiel à obra literária, esta não é a melhor opção. No entanto, estamos perante um filme interessante, que explora o sobrenatural e coloca à prova as capacidades dedutivas do ilustre e único Hercule Poirot. A derradeira cena do filme deixa em aberto a possibilidade de uma nova aventura, que ainda não tem qualquer confirmação oficial.

Mediano
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