Indiana Jones and the Dial of Destiny

Quinze anos após uma desilusão completa, o Dr Henry Jones está de volta para a sua derradeira aventura. James Mangold foi o realizador escolhido para o fecho de ciclo, que decorre em 1969, no auge da corrida espacial.

O primeiro acto lança a premissa, explicando os eventos de 1944, em que Indy e o seu amigo, Basil Shaw, tentam recuperar a Lance of Longinus, um artefacto místico que se encontra na posse de Jürgen Voller, um astrofísico nazi, que será o vilão desta aventura. A bordo de um comboio, o Dr Jones vai acidentalmente adquirir uma metade de um aparelho construído por Arquimedes, que alegadamente permite a criação de fissuras temporais.  Destaque para a tecnologia utilizada, que permitiu a criação de uma versão bastante mais nova do nosso herói, com a utilização de um duplo.

A narrativa, confirme mencionei, decorre em 1969, no apogeu da guerra fria, demonstrando uma sociedade em evolução, em que Indy se converteu numa memória do passado. Tomamos igualmente conhecimento do seu passado mais recente, que deixou marcas profundas e que serve para humanizar a personagem de Indy.

Como é apanágio, vou evitar os spoilers, embora posso salientar a presença de Phoebe Waller-Bridge, no papel de Helena Shaw e o seu sidekick, Teddy Kumar, que trazem algumas memórias de Short Round, do segundo filme da saga. Pessoalmente, diria que o segundo acto é o momento mais forte de Dial of Destiny, que tem uma abordagem interessante, com alguns momentos cómicos, que complementam as inúmeras cenas de ação.

Existem igualmente vários momentos de fan service, com a presença de John Rhys-Davies e Karen Allen, nos papéis de Sallah e Marion Ravenwood. Não sou o maior apologista dos eventos do terceiro acto, mas este é um filme claramente superior a Kingdom of Crystal Skull, que introduz um vilão cativante (Mads Mikkelsen) e um braço direito detestável (Boyd Holdbrook).

Indiana Jones é uma das minhas franquias preferidas, com três filmes fantásticos e que fecha seu o arco narrativo, com um filme mediano, mas que ostenta a quota parte ideal de fan service.

Bom
70%

Meg 2: The Trench

O sucesso do filme original resultou numa sequela, em que assistimos ao regresso de Jonas, Meiying, Mac e DJ. Sem divulgar pormenores narrativos, posso adiantar que Jiuming Zhang, o tio de Meiying, é a grande adição â equipa, que volta a deparar-se com a incursão de vários Megalodons.

Cinco anos após os eventos do primeiro filme, Jonas e a sua equipa continuam a explorar a Fossa das Marianas, embora se dediquem igualmente a causas ecológicas. O primeiro acto tem uma cena épica, que será relevante para introduzir a personagem de Montes, um dos vilões de The Trench. Adicionalmente, tomamos conhecimento da pesquisa de Zhang, que tenta criar uma relação com Haiqi, uma cria megalodon que está a aprender a responder a estímulos auditivos.

A narrativa continua a retirar inspiração da obra literária de Steve Alten, embora seja francamente inferior à primeira aventura. Existem momentos cómicos, que complementam a ação de forma competente, sem nunca deslumbrar. Diria que a grande virtude do primeiro Meg é o facto de ter conseguido converter-se no típico filme pipoca, algo que The Trench falha em alcançar.

Jason Statham é o foco de todo o filme, embora seja relevante destacar a presença de Page Kennedy e Sergio Peris Mencheta, no papel de DJ e Montes, respectivamente. Diria que existe algo para os entusiastas da primeira aventura, embora seja importante reduzir as expectativas para The Trench, que garante algum entretenimento mas fica bastante aquém do seu predecessor.

Mediano
65%

Bird Box Barcelona

O sucesso do filme original levou ao desenvolvimento deste projeto, que é essencialmente uma narrativa paralela, em que acompanhamos o desenrolar deste evento na cidade de Barcelona. O primeiro acto introduz a personagem principal, Sebastián , que viaja com a sua filha, Anna. Somos relembrados do que ocorre quando estas misteriosas entidades estabelecem contacto visual com os humanos, assim como o poderoso instinto de sobrevivência que reside em cada um de nós.

Não existe um conceito de herói neste filme, que se foca em narrar os eventos que ocorreram há noves atrás, quando estas misteriosas criaturas aparecem pela primeira vez. O grupo de sobreviventes que vamos acompanhar têm uma história peculiar, que vai expor as crenças de Sebastián , que consegue tolerar a presença das criaturas, por motivos que serão relevados ao longo da narrativa.

As cenas de ação complementam os diálogos, num filme que está longe de ser brilhante mas garante entretenimento ao longo de 112 minutos. Diria que o ponto mais relevante é a empatia que conseguimos gerar com algumas das personagens, que tentam desesperadamente alcançar o castelo de Montjuïc Castle, que representa o bastião da resistência humana na capital da Catalunha.

O terceiro acto tem muitas semelhanças com o projeto original, mas, no global, este é um filme que recomendo para uma tarde de domingo, em que pretendam ter uma experiência relativamente intensa. Lamentavelmente, são introduzidas poucas explicações para o lore destas criaturas, embora seja partilhada uma teoria interessante acerca da sua proveniência.

Caso estejam interessados em Bird Box Barcelona, o filme está disponível em território nacional via Netflix.

Mediano
66%