Ava

A primeira cena do filme apresenta-nos Ava Faulkner, uma assassina profissional que tem o hábito incomum de questionar a sua vítima acerca do motivo pelo qual vai ser eliminado. Após mais uma missão bem sucedida, Ava segue para Boston, para visitar a sua mãe, que se encontra hospitalizada.

Lentamente, vamos conhecendo o seu passado de alcoolismo e o motivo pelo qual abandonou a sua família há oito anos atrás. Pelo meio, surge a oportunidade de realizar mais uma missão, na Arábia Saudita, que não corre da melhor forma, o que origina um encontro entre Ava e o seu superior, Duke, que assume o erro pelo falhanço.

Rapidamente constatamos que existe um motivo para a missão da Arábia Saudita ter falhado, com ligações a Simon, o responsável pela organização de assassinos. O segundo acto foca-se na vida pessoal de Ava, que reencontra o seu ex-noivo, que tem agora uma relação com a sua irmã. A narrativa explora as decisões de vida da protagonista, assim como a sua necessidade de encerrar determinados ciclos, com a sua mãe e irmã. No entanto, a missão principal acaba por ser o resgate de Michael, o seu ex-noivo, que contraiu uma dívida de jogo enorme para com Toni, uma asiática que também tem uma passado com ligações a Ava.

Após uma épica missão de resgate, a nossa “heroína” recebe uma mensagem, com um vídeo a confirmar o assassinato de Duke, abrindo caminho para o terceiro acto, em que teremos o encontro final entre Ava e Simon. Este é sem dúvida um filme interessante, com um bem elenco de actores, dos quais destaco Jessica Chastain, John Malkovich, Colin Farrell e Geena Davis. As cenas de ação estão bem conseguidas mas falta algo para converter este projeto em algo memorável.

A conclusão do filme deixa em aberto uma potencial sequela, algo que até ao momento carece de confirmação. Dito isto, diria que vale a pena investir 96 minutos em Ava, mas não esperem algo ao nível de um John Wick, por exemplo.

Mediano
68%

Locke & Key T.2

Após os eventos da primeira temporada, os Locke acreditam que a sua vida irá regressar à normalidade. Rapidamente chegamos à conclusão que Dodge não foi derrotada, tendo assumido a aparência de Gabe para aproximar-se de Kinsey. Ao longo dos episódios vão surgir novas chaves, que permitem adquirir força sobre-humana, aprisionar ecos e transformar humanos em demónios.

Erin e Duncan vão ter um papel relevante nesta segunda temporada, servindo de apoio na batalha com Gabe e Eden. Tomamos igualmente conhecimento que com a utilização de “whispering iron” é possível forjar novas chaves, algo que será relevante para o arco narrativo principal. Josh Bennett é outra personagem introduzida nesta temporada, um antepassado do Capitão Frederick Gideon, que tem ligações profundas à família Locke.

A Black Door volta a ser um elemento relevante e que será explorado em termos narrativos. Saliento igualmente que o tom desta temporada é mais dark, com perdas assinaláveis para os Locke, que irão moldar os eventos do derradeiro episódio, em que somos confrontados com vários “impasses narrativos”.

Conforme mencionei anteriormente, há uma maior participação de Erin, Duncan e Nina, com o consequente desenvolvimento de personagens. Gostei igualmente da ligação dos Locke com o Capitão Gideon, que sem colocar spoilers, será previsivelmente uma parte fundamental da próxima temporada, que deverá estrear no segundo semestre de 2023.

Em conclusão, considero que existe uma evolução positiva em termos narrativos, embora existam alguns momentos previsíveis. O duo de vilões composto por Gabe e Eden cumpre o seu papel, embora nem sempre façam sentido as suas motivações. No que diz respeito aos Locke, Bode é a personagem que perde mais relevância, algo que espero venha a ser retificado na terceira e derradeira temporada.

Rendez-Vous com RAMA

No distante ano de 1973, Arthur C. Clarke publicou esta história de ficção científica, que decorre no ano 2130, quando um misterioso objeto cilíndrico entra no nosso sistema solar. Após inúmeras análises e testes, os cientistas concluem que se trata de uma nave especial, de origem desconhecida. Assim sendo, o comandante Bill Norton é destacado para pilotar a Endeavour até ao objeto, que é apelidado de Rama, em homenagem ao deus hindu da Proteção.

Ao longo dos capítulos vamos acompanhando a exploração da nave, que tem um ecossistema próprio e desafia várias das leis de Newton, graças ao seu invulgar comportamento. Adicionalmente, é confirmado que Rama é um cilindro perfeito, com vinte quilómetros de diâmetro e cinquenta de largura.

O autor consegue manter sempre um manto de mistério, através de uma escrita inteligente e muito descritiva, que nos mantém sempre na esperança que exista um encontro com uma entidade alienígena. Gostei igualmente do conceito do comité dos Planetas Unidas, uma espécie de ONU intergaláctica, que tem como função proteger os planetas do nosso sistema solar.

Rendez-Vous com RAMA é um clássico do género e que recomendo sem hesitação. É um livro que aborda a exploração espacial e a forma como o ser humano lida com o desconhecido. O desenvolvimento narrativo dos membros da tripulação e as suas diferentes crenças é um mais valia narrativa, aumentado a nossa empatia para com a missão e  com o desfecho desta aventura, que é certamente invulgar.

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