Army of Thieves

Após os eventos do filme original, vamos conhecer em pormenor a origem de Sebastian Schlencht-Wöhnert, mais conhecido por Ludwig Dieter. Estamos perante uma prequela, que tem início em Potsdam, com uma abordagem de Gwendoline, que propõe três assaltos, que implicam arrombar os míticos cofres de Hans Wagner.

Sebastian é um admirador e estudioso da obra de Hans Wagner, motivo pelo qual aceita sem hesitação. Somos igualmente introduzidos aos restantes elementos da equipa, mais especificamente Korina (hacker), Rolph (condutor) e Brad Cage (o braço armado). A narrativa incorpora alguns momentos humorísticos, mas é bem complementado com cenas de ação e desenvolvimento de personagens. Adicionalmente, temos menção ao surto zombie no Nevada e ao milionário Bly Tanaka, que são parte fundamental do primeiro filme.

A primeira missão ocorre em Paris, com o cofre mais acessível (The Rheingold), passando para Praga, com um nível de dificuldade acrescido com The Valkyrie, culminando em St. Moritz, com o lendário The Siegfried. O antagonista desta narrativa é o agente Delacroix, da Interpol, que por motivos pessoais, tem uma obsessão pela equipa.

O derradeiro acto, que irá terminar na cidade de Hallstatt, Austria, é o mais satisfatório, dando conclusão à aventura de Dieter, abrindo igualmente caminho para os eventos que irão ocorrer em Army of the Dead.

Saliento que esta aventura  é essencialmente focada nos assaltos, partilhando uma narrativa fluida, com personagens interessantes e que em ponto algum se foca no surto zombie.

Existe no entanto uma cena pós-créditos, que faz a ponte com o início da missão em Las Vegas.

Mediano
70%

Legends of Tomorrow T.4

Após a derrota de Mallus, a equipa passa por um curto período de sucesso, que os coloca num patamar distinto junto do Time Bureau. No entanto, e ao bom estilo de Legends, são informados por Constantine de uma ameaça mágica que promete alterar a História como a conhecemos. O primeiro episódio transporta-nos para Woodstock e envolve unicórnios, mantendo a habitual componente humorística que caracteriza a série.

No que diz respeito à equipa, contamos com a adição de Constantine, Charlie e um papel mais activo de Gary. Vão existir alterações na dinâmica, sobretudo nas personagens de Hank e Ray Palmer mas no global a narrativa garante entretenimento, lançando uma premissa muito interessante para a quinta temporada.

A introdução da magia no quotidiano diário permite aos argumentistas uma liberdade quase completa, que é bem visível nos episódios de Salem, Londres, Paris e México. Saliento que, na minha opinião, esta é uma série muito específica, que vive no limiar da “loucura” narrativa e que obedece a poucas regras. Por esse motivo, vai apelar a um público alvo que privilegie o entretenimento e não tenha expectativas elevadas em termos de complexidade do enredo.

Se foram fãs das temporadas anteriores, diria que vão gostar do ritmo frenético e do humor constante que vai continuar a definir Legends of Tomorrow. Para os restantes, diria que é uma série que devem evitar, dado que não vai acrescentar nada ao universo da DC criado pela CW.

Obi-Wan Kenobi

The Mandalorian é sem dúvida a melhor série que o universo Star Wars produziu mas o potencial de Obi Wan é inquestionável, o que me deixou francamente entusiasmado com este projeto. A narrativa decorre uma década após os eventos de Revenge of the Sith e nove anos antes de A New Hope, retratando a nova era do Império, em que a Ordem Jedi foi derrotada e se encontra à beira da extinção.

Os poucos sobreviventes tentam escapar aos Inquisitors, uma força criada para caçar e eliminar os Jedi, algo que é introduzido no primeiro episódio. Uma boa parte da ação decorre em Tatooine, em que assistimos ao quotidiano diário de Obi-Wan, que aparenta ter sido quebrado pelos eventos pós Ordem 66. O outrora poderoso Mestre abdicou da Força, precisamente para preservar o seu anonimato e garantir a segurança de Luke Skywalker, que se encontra a viver com os seus tios.

Como é habitual, vou evitar os detalhes mas posso adiantar que a narrativa principal consiste numa missão de salvamento, em que Obi-Wan se vê forçado a resgatar Leia, que foi raptada por Reva Sevander, um membro dos Inquisitors que tem uma obsessão por  Kenobi. Adicionalmente, temos algumas cenas em Mustafar, em que vemos Darth Vader no seu reduto, com o respetivo enquadramento histórico dos eventos. A utilização da voz de James Earl Jones confere a quantidade precisa de nostalgia, que nos transporta no passado e funciona bem com a ligação realizada nestes seis episódios.

Existem obviamente algumas decisões com as quais não concordo, mas no global apreciei a (re)introdução de Obi Wan. A humanização da sua personagem está bem conseguida, sendo visível a dor que transporta pela morte de Anakin. A cena em que toma conhecimento que Vader e Anakin são a mesma pessoa está repleta de carga dramática, sendo um dos pontos mais altos desta série.

A interpretação de Vivien Lyra Blair como Leia é muito positiva, permitindo-nos ter mais contexto acerca da sua juventude e a inevitável ligação com Obi-Wan, que será tão relevante em A New Hope. Moses Ingram (Reva) é igualmente uma personagem relevante desta narrativa, com uma história peculiar e que será partilhada ao longo deste seis episódios.

Darth Vader é retratado como impiedoso, embora mantenha a vingança como motivação principal, algo que será explorado e levará a dois encontros com Kenobi. Nota de destaque para a química entre Ewan McGregor e Hayden Christensen, que ajuda a elevar a carga dramática da série, que apesar de ter as suas falhas, é uma experiência agradável para os fãs da trilogia original.

O ritmo da série sofre um pouco face à sua curta duração, mas consegue introduzir personagens relevantes e que moldam o regresso de Obi-Wan Kenobi enquanto Mestre Jedi. Caso pretendam abordar pontos mais específicos da série, convido-vos a utilizar a caixa de comentários.

Termino apenas com a minha recomendação para esta série, que conciliou nostalgia, ação e narrativa de forma muito competente.