The Terror

Baseado numa histórica verídica, esta série narra as aventuras da tripulação do HSM Terror e HSM Erebus, na tentativa de descobrir a Passagem do Noroeste pelo Ártico. A premissa inicial assenta na luta pela sobrevivência mas a narrativa evolve para algo mais profundo, colocando em choque dois mundos distintos e que obrigarão a escolhas morais complexas.

A mitologia Inuit tem uma presença marcante ao longo dos 10 episódios, na figura de The Tuunbaq, uma criatura semelhante a um urso polar. No que diz respeito à expedição, o seu líder inicial é Sir John Franklin, um burguês que se encontra na fase descendente da sua carreira, após vários fracassos e sem qualquer perfil para assumir a posição que ostenta.

O segundo na cadeia de comando é Mr. Crozier, um experiente navegador, fluente no idioma dos Netsilik e que tenta ultrapassar uma desilusão amorosa. Sem revelar grandes pormenores, as escolhas de Sir John levarão a que os navios fiquem encalhados no meio do Ártico. Após dois rigorosos Invernos, os tripulantes são forçados a iniciar uma caminhada e é precisamente nesse momento que temos o primeiro ataque do Tuunbaq.

Gostei francamente das personagens de Crozier, Goodsir, Fitzjames e Mr. Hickey, que sofrem mudanças radicais ao longo da narrativa. Temos sacrifícios, escolhas impossíveis, aliadas à batalha constante em não perder a Humanidade que nos separa dos restantes seres vivos.

Conforme referi no início do artigo, esta série é baseada em factos reais, mais concretamente na obra literária de Dan Simmons (2007), com a adição de elementos sobrenaturais para apimentar a narrativa.

Recomendo seriamente que invistam tempo em The Terror, que oferece algo diferente e muito focado na componente psicológica.

Lost in Space T.1

Parece que ultimamente a Netflix tem o toque de Midas, pelo que encarei com entusiasmo o reboot de Lost in Space, uma mítica série dos anos 60, que resultou igualmente num filme pouco memorável em 1998.

Ao longo desta primeira temporada, vamos acompanhar as aventuras da família Robinson, que se vê forçada a aterrar num planeta desconhecido, após um ataque à nave mãe (Resolute). A maior parte da narrativa decorre precisamente no planeta, com flashbacks constantes para nos enquadrar e apresentar as motivações dos vários intervenientes.

Perante uma situação crítica, Will vai encontrar um estranho robot que o ajuda a resgatar uma das suas irmãs, formando-se uma ligação que será fundamental para o desfecho da temporada. Paralelamente, vamos conhecendo as restantes personagens integrantes, dos quais destaco Dr Smith e Don West, para além da família Robinson.

Estamos perante uma série de ficção científica, que aborda temas como a luta pela sobrevivência, o medo do desconhecido e até mesmo o altruísmo pelo bem maior. Diria que esta premissa é refrescante, dado que é mais orientada para a narrativa, eliminando quase na totalidade a violência típica deste género.

A vilã é simplesmente fantástica e promete irritar-vos profundamente com os seus métodos de persuasão. Não é uma série perfeita mas consegue captar a atenção durante os dez episódios que compõem esta primeira temporada.

Fico extremamente curioso com o cliff-hanger do derradeiro episódio, mas terei de aguardar pacientemente pela segunda temporada, em data ainda a confirmar.