Badland Hunters

Nas últimas semanas tenho apostado no cinema coreano para o meu entretenimento cinematográfico. A escolha de hoje recaiu num cenário pós apocalíptico, numa zona adjacente de Seoul. Após um sismo de magnitude elevada, a grande maioria das cidades ficam reduzidas a escombros. A população local tem de aprender a viver com uma seca intensa e a consequente luta pela sobrevivência, em que impera a lei do mais forte.

A narrativa avança cinco anos e somos introduzidos a Nam-Sam, a personagem principal desta aventura, que tem como missão resgatar a jovem Han Su-na, que foi capturada pelas forças do Dr. Gi-su. A narrativa é simples e bastante previsível, apostando em muita ação e alguns momentos cómicos, sobretudo no primeiro acto. Paralelamente, somos confrontados com o plano plano maquiavélico do vilão, que procura uma forma de garantir a sobrevivência a humanidade, através de experiências me´dicas altamente questionáveis.

No que diz respeito ao elenco, destaque para a presença de Ma Dong-seok e An Ji-hye. que cumprem de forma competente as cenas de luta. A realização fica a cargo de Heo Myung-haeng, que é profundamente inspirado pelo género de artes marciais, garantindo um ritmo frenético que garante entretenimento.

Caso procurem o típico “filme pipoca”, esta é uma escolha fiável, garantindo 107 minutos de diversão. Este título encontra-se disponível em território nacional através da Netflix.

Mediano
62%

Train to Busan

Considero-me um entusiasta de filmes de zombies, pelo que não podia continuar a procrastinar no que diz respeito a este projeto, realizado por Yeon Sang-ho. A narrativa centra-se na personagem de Seok-woo, um gestor de investimentos que tem uma visão cínica do mundo. O primeiro acto introduz este pai divorciado, viciado em trabalho, que tem uma relação distante para com a sua filha, Su-an. Após grande insistência, Seok concorda em apanhar o comboio para Busan, permitindo à sua filha passar o aniversário com a mãe, com que tem uma relação de proximidade.

Após o embarque, a narrativa começa a desenvolver-se, com a partilha de informação de tumultos no exterior e um infectado a bordo, que vai iniciar uma verdadeira epidemia no comboio KTX 101, com destino a Busan. Lentamente, vamos tomando conhecimento das restantes personagens desta narrativa, com destaque para Sang-hwa, a sua esposa grávida, Seong-kyeong  e Yon-suk, um executivo que prioritiza a sobrevivência.

As cenas de acção estão bem conseguidas, garantindo o envolvimento do espectador com as personagens. Essa ligação sentimental é fundamental para a progressão da história, em que vários elementos se vão sacrificando, por motivos distintos, para garantir a sobrevivência dos mais jovens. Parece-me igualmente relevante destacar as cenas a bordo do comboio, que conseguem conferir uma sensação de claustrofobia, maximizando a experiência inerente a esta aventura.

Train to Busan é um filme muito competente, garantindo entretenimento e criando uma empatia para com os desafios constantes do grupo, que são constantemente confrontados com probabilidade baixas de sobrevivência. Fica a minha recomendação, sobretudo para quem é fã deste género. Do meu lado, segue-se Península, que apesar de ter sido comercializado como uma sequela, é apenas uma história paralela, que decorre no mesmo universo.

Bom
72%

Godzilla Minus One

A Toho Studios, em parceria com a Robot Communications, lançou este projecto independente, com um orçamento de 15 milhões de dólares. Takashi Yamazaki fez um trabalho extraordinário, com a utilização de efeitos práticos, que convertem este filme numa experiência muito agradável.

Optei por ver a versão a preto e branco, que me parece a mais fiel à visão do realizador. A narrativa decorre no ano de 1945, introduzindo o piloto kamikaze Shikishima, que aterra na Ilha Odo, para reparações. Uma estranha criatura, que faz parte do folclore local, ataca o local, dizimando os engenheiros e toda a infraestrutura militar.

O piloto regressa a casa com claros remorsos pelo facto de ter ficado sem reação aquando do ataque e tem dificuldade em reintegrar-se na sociedade. Para complicar ainda mais a situação, fica a saber que os seus pais faleceram durante o bombardeamento inimigo, o que agrava o seu estado de espírito. Quando tudo parece perdido, conhece uma jovem, de nome Noriko Ōishi, que é responsável por um bebê órfão, com os quais vai criar uma relação platônica.

Tomamos igualmente conhecimento da operação Crossroads, que envolve inúmeros testes nucleares, que serão responsáveis pela mutação de Godzilla, convertendo-o numa ameaça para todo o território japonês. A narrativa é previsível mas coloca o nosso herói num novo confronto com Godzilla, que irá representar o seu arco de redenção.

O ataque à cidade de Ginza é, na minha opinião, o ponto mais alto do filme, lançando a premissa para o terceiro e derradeiro acto narrativo, em que uma série de cidadãos se unem na tentativa de derrotar o monstro. Vou obviamente evitar os spoilers, mas recomendo sem hesitação este projecto para quem é fã dos filmes originais de Godzilla. Conforme referi na introdução, o orçamento é reduzido e tem como suporte efeitos especiais muito práticos, que conferem um aspecto visual antiquado mas que funciona na perfeição.

Minus One foi sem dúvida uma agradável surpresa, sobretudo se considerarmos que foi lançado  praticamente na mesma altura de um dos grandes blockbusters de Hollywood, Godzilla x Kong: The New Empire.

Bom
72%