Suicide Squad 2

Confesso que a aventura original e Birds of Prey foram grandes desilusões, mas a realidade é que a adição de James Gunn ao projeto revitalizou o meu interesse. O primeiro acto apresenta-nos a nova Task Force X, que continua a ser liderada por Rick Flag e conta com BloodSport, Harley Quinn, Peacemaker, King Shark, Polka-Dot Man e Ratcatcher 2.

A narrativa decorre em Corto Maltese, para uma missão que visa destruir um edifício que alberga o obscuro projeto Starfish. Os momentos cómicos são recorrentes, complementados com ação frenética, bem ao estilo de James Gunn, que apostou forte em algumas personagens secundárias do universo DC.

A cena inicial na praia, com Savant, Captain Boomerang, Blackguard, TDK, Javelin e Mongal é absolutamente épica, com um desfecho que terá algumas ramificações no acto final. Quero igualmente destacar a participação da actriz portuguesa Daniela Belchior, que interpreta a personagem de Ratcatcher 2 , Sylvester Stallone, que dá a voz a King Shark e John Cena, que é fenomenal como Peacemaker.

Um dos vilões da narrativa é Gaius Grieves, mais conhecido como The Thinker, que lidera o projeto Starfish e será responsável por um dos maiores twists de Suicide Squad 2. Como é apanágio, os motivos reais de Amanda Waller são obscuros, o que vai colocar dilemas morais para esta equipa de vilões e anti-heróis. Gostei bastante do acto final, que contém a derradeira batalha com Starro the Conqueror e o exército de Colto Maltese.

Os efeitos especiais são muito competentes e a realização de James Gunn coloca este filme num patamar superior ao que esperava. Está longe de ser brilhante mas garante 132 minutos de pura diversão e lança algumas premissas interessantes para o futuro, dos quais destaco a série da HBO Max acerca de Peacemaker. Para terminar, recomendo que aguardem pelas duas cenas pós-créditos que estão disponíveis.

Mediano
72%

Mortal Engines

Em 2009, Peter Jackson adquiriu os direitos para adaptar a obra de Philip Reeve ao cinema. Oito anos mais tarde, surge Mortal Engines, uma co-produção americana e neozelandesa que nos leva mil anos para o futuro, num futuro steampuk que ocorre após os eventos da Guerra dos Sessenta Minutos.

A civilização ocidental passou a aglomerar-se em Traction Cities, gigantescas cidades que conseguem mover-se pelo chão, a grande velocidade. No primeiro acto, vamos conhecer Hester Shaw, uma fugitiva com uma estranha cicatriz na sua face e Tom Natsworthy, um aprendiz do museu da Cidade de Londres, que se veem envolvidos numa conspiração que visa a destruição da muralha da China.

O vilão é Thaddeus Valentine, um arqueólogo que procura replicar tecnologia antiga, na tentativa de construir uma bomba quântica, a arma responsável pela Guerra dos Sessenta Minutos e que mudou a civilização como a conhecemos. Conforme mencionei, o ambiente é muito steampunk e o conceito no geral, é extremamente interessante, mas falha na componente das personagens e do próprio ritmo. São raros os momentos em que sentimos alguma preocupação para com o bem estar de Tom e Hester, que tem uma história de origem terrivelmente previsível e que pouco acrescenta à narrativa.

Os pontos mais altos são a interpretação de Hugo Weaving e a personagem de Anna Fang, uma fora da lei que é responsável pela defesa da Muralha Chinesa. O segundo acto, que acompanha a viagem dos nossos heróis é bastante fraco, valendo apenas pela introdução da personagem de Shrike, que tinha potencial para ser um antagonista relevante mas que acaba por ser terrivelmente mal aproveitado.

O acto final apresenta a batalha final, que opõe a cidade de Londres e a Muralha da China, mais conhecida por Shield Wall. As cenas de ação estão bem conseguidas e sinceramente, esta acaba por ser a parte mais interessante do filme, que falha redondamente na sua tentativa de criar um universo aliciante, que sustentasse o lançamento de dois filmes adicionais, para completar a saga. Previsivelmente, o filme foi um insucesso nas bilheteiras, o que inviabilizou a continuidade do projeto.

Mediano
66%

Justice Society: World War II

A WB continua a apostar forte nos filmes de animação, sendo este o mais recente projeto. O primeiro ato apresenta-nos uma Europa consumida pela guerra e um Fuhrer obcecado em localizar artefactos mágicos, com o intuito de criar a derradeira arma de conquista mundial. Do lado dos EUA, o Coronel Steve Trevor torna-se o responsável por uma equipa de super-humanos, composta por Black Canary, Hawkman, Hourman, Jay Garrick e Wonder Woman, que tem a designação de Justice Society.

A narrativa alterna com os tempos modernos, em que acompanhamos uma batalha entre Super-Homem e Brainiac, que acaba por ter a intervenção de The Flash. Numa tentativa de salvar o Homem de Aço de uma bala de kryptonite, Barry ativa pela primeira a Speed Force, sendo catapultado no tempo, para uma era em que a Justice Society se encontra na França, em guerra aberta com os nazis.

Seguem-se gloriosas cenas de ação, que culmina com o salvamento de Steve Trevor, cortesia de Allen e Jay Garrick. Após alguma relutância inicial, a equipa aceita a presença do velocista do futuro e seguem para uma missão secreta, na tentativa de localizar Doctor Fate, que aparenta ter a resposta para os eventos ocorridos.

Estou deliberadamente a omitir vários pormenores narrativos que são importantes, mas contem com a presença de AquaMan e The Advisor, que terão um papel relevante no desfecho desta aventura. A animação está bem conseguida, com alguns twists narrativos que funcionam bem e conferem alguma imprevisibilidade para o terceiro e derradeiro ato.

O casting é soberbo, com destaque para Stana Katic, Matt Bomer, Christopher Diamantopoulos e Omid Abtahi, que acrescentam dinamismo e qualidade ao projeto final. Justice Society é um filme muito competente, ao nível do que a DC nos tem habituado e é uma recomendação clara da minha parte.

Mediano
70%