The Predator

Após dois filmes verdadeiramente épicos, a saga Predador tem sido muito mal tratada, com filmes medíocres e que pouco acrescentam ao universo. No entanto, fui invadido por uma réstea de esperança quando li que Shane Black (actor do primeiro filme e consagrado argumentista) iria assumir a realização.

Optei por reduzir as minhas expectativas e tomei a decisão de investir 107 minutos, sendo agora importante partilhar a minha opinião. A premissa foca a manipulação de ADN e a necessidade de evolução da espécie, num enredo que faz pouco sentido. Aliás, a minha crítica principal aos últimos projetos (Predators, Alien Vs Predator) é precisamente a narrativa, que tenta ser demasiado elaborada. Relembro que os dois clássicos originais focam apenas a necessidade primária de caça, algo simples mas que funcionou de forma genial.

Ao longo do filme existem vários momentos de humor, assim como referências clássicas e até a presença de Keys (interpretado pelo filho de Gary Busey), que fazem o fan service necessário mas que se revela insuficiente para elevar este projecto a um nível aceitável.

O ritmo da narrativa é irregular, tirando muito pouco proveito dos actores escolhidos (Tom Jane, Sterling K. Brown, Olivia Munn e Boyd Holbrook), com a agravante de,  em certa altura, entrar numa espécie de caricatura de filme de série B.

Como sabem, evito sempre os spoilers, motivo pelo qual omito vários detalhes, mas posso assegurar-vos que a maldição do “Predador” mantem-se. O mais prudente nesta fase é deixar a franchise em paz durante alguns anos e apostar num regresso de qualidade, com a premissa dos dois primeiros filmes, que são um marco no género.

INSUFICIENTE
50%

Venom

Após uma aparição em 2007, no terceiro filme do Homem-Aranha, a Marvel resolveu dedicar um filme inteiro a Eddie Brock e Venom. A narrativa vai acompanhar a saga da Life Foundation, uma empresa dedicada à colonização do espaço, que numa das suas missões de exploração consegue recolher formas de vida alienígena presentes num meteorito.

A viagem de regresso termina em tragédia, com uma violenta queda, em que um dos simbiotes (Riot) consegue fugir para uma zona populacional. Os restantes são levados para laboratório, onde começam a ser estudados, com o intuito de os integrar com um hospedeiro humano.

É nesta fase que somos apresentados a Eddie Brock, um jornalista especializado em desvendar escândalos, que vai investigar os misteriosos testes humanos realizados por Carlton Drake, o CEO da Life Foundation. Escusado será dizer que os acontecimentos que ocorrem levam a que Eddie se una a Venom, criando uma entidade dupla, que começa a aprender a lidar com os seus super poderes.

Essencialmente, Brock tenta ajudar Venom a regressar a casa, algo que é igualmente pretendido por Riot, mas que Drake tenta evitar a todo o custo, por entender que a evolução da Humanidade passa pela união simbiótica com estas criaturas. Sem colocar spoilers, ficamos a saber que existem motivações extra, o que origina uma luta titânica entre estas três fações.

Pessoalmente, considero que este filme é mediano, sobretudo quando comparado com os mais recentes projetos da Marvel. As interpretações são pouco memoráveis e a narrativa tem várias incongruências que condicionam a qualidade e fluidez da história.

Pelos motivos indicados, não posso recomendar Venom aos meus estimados leitores, que recebe a seguinte pontuação na escala que vou passar a utilizar em 2019.

Mediano
65%

Aquaman

Os mais recentes projetos da DC foram bastante decepcionantes, com excepção de Wonder Woman, que aliou narrativa, desenvolvimento de personagens a um casting de qualidade. Essas premissas foram mantidas em Aquaman e o resultado é francamente positivo, algo que parecia impensável há cerca de um ano atrás, aquando da estreia de Justice League.

Vamos acompanhar a história de Arthur Curry, filho da Rainha Atlanna e de um humano, que terá a dura tarefa de evitar a guerra entre a Humanidade e os reinos de Atlântida. Para tal, vai necessitar de localizar o Tridente de Atlan, que lhe permitirá dominar todas as criaturas marinhas e unificar os vários reinos.

O primeiro acto é francamente interessante, com destaque para a interpretação de Nicole Kidman, que confere um dinamismo e sentido de grandiosidade em todas as cenas em que participa. Vamos igualmente conhecer Atlântida, mais concretamente a Princesa Mera e o Rei Orm, irmão de Arthur, que tem motivações muito específicas para detestar a Humanidade.

Aquaman tem uma entrada triunfante, com uma cena inicial no submarino, que consegue ser épica e apresentar-nos a génese da criação de Black Manta, um dos seus arqui-inimigos. As cenas de CGI estão espectaculares, conferindo um sentido de escala significativo ao Reino de Atlântida, assim como as coreografias de luta, que são de altíssimo nível.

A narrativa leva os nossos heróis a locais remotos, dos quais destaco Malta e a Fossa das Marianas, onde se localiza o tridente. Ao longo das quase duas horas e meia de filme existe a preocupação de contar uma história, sem esquecer o humor, o que contribui decididamente para que Aquaman seja o (segundo) melhor filme da DC.

O casting foi igualmente muito bem conseguido, apresentando um vilão convincente (Patrick Wilson), duas personagens secundárias altamente relevantes (Dolph Lungdren e Willem Dafoe) e uma química extraordinária entre Jason Momoa e Amber Heard.

Aquaman foi uma excelente forma de terminar o ano de 2018, fazendo crer que a DC pode ter franchises de qualidade, desde que seja exigente nos seus padrões. E agora sim, estou entusiasmado com o potencial da DC em termos cinematográficos.