Bird Box

Baseado na obra literária de Josh Malerman, Bird Box mostra-nos uma sociedade dizimada por um misterioso acontecimento apocalíptico. No que concerne a narrativa, vamos acompanhar a luta pela sobrevivência de Malorie, uma mãe solteira grávida, que se vê barricada numa residência suburbana com vários desconhecidos.

O primeiro acto serve, como habitualmente, para apresentar as várias personagens e as suas motivações. Pessoalmente, considero fascinante a evolução das personalidades, sobretudo no que diz respeito ao instinto primário de selecção natural, que se sobrepõe por completo à humanidade e sensatez inicial.

Com o desenrolar dos eventos, chegamos à conclusão que existem entidades que levam os humanos à loucura apenas com o simples olhar, o que gera a necessidade de utilizar vendas nas diversas incursões realizadas no exterior, em busca de mantimentos.

Como habitualmente, não vou colocar spoilers mas posso adiantar que a narrativa inverte cronologicamente os acontecimentos, regredindo cinco anos e demonstrando a mudança drástica na situação de Marjorie, que a força a iniciar uma viagem perigosa pelo rio em busca de uma colónia de sobreviventes.

Bird Box é sem dúvida um filme interessante, com uma boa interpretação de Sandra Bullock e John Malkovich. Existem várias premissas de comportamento humano que são fascinantes, com destaque para o (inesperado) desfecho final.

Se são subscritores de Netflix, recomendo que invistam duas horas neste projeto de Susanne Bier, mas sem expectativas demasiado elevadas.

Christmas Chronicles

Agora que estamos em Dezembro e o espírito de Natal paira no ar, está na altura indicada para ver o mais recente projeto da Netflix, que tem como protagonista Snake Plissken, perdão Kurt Russell.

Kate e Perry Pierce são dois irmãos, que tentam ultrapassar o falecimento do seu Pai, bombeiro de profissão. O início da narrativa apresenta-nos o antes e depois em termos de relacionamento familiar, com o inevitável foco nas tradições natalícias. Ao rever alguns vídeos das festividades do ano anterior, Kate pensa ter descoberto o momento em que o Pai Natal faz as suas entregas, culminando num elaborado plano para comprovar a existência desta mítica personagem.

Apesar das boas intenções, o resultado final é desastroso, causando um acidente com o trenó, que deixa o Natal em perigo. Na tentativa de cumprir a sua função anual e trazer alegria a todo o Mundo, os irmãos vão ajudar São Nicolau a ultrapassar uma série de obstáculos e desafios inesperados, que inclui perseguições policiais, fugas em renas e uma ida ao Polo Norte.

Apesar dos óbvios clichés, Christmas Chronicles proporciona entretenimento e humor, aliado a uma poderosa mensagem acerca do consumismo e coexistência em sociedade. E quando um filme deste género nos deixa com o espírito natalício a 100%, sabemos que o objetivo foi alcançado com sucesso!

The Meg

Jonas Taylor é um perito em resgates a grande profundidade, que se vê forçado a abandonar os seus amigos num submarino nuclear, após ter sido atacado por algo que não chega a ser identificado. Escusado será dizer que a sua versão não é corroborada pelos médicos, que insistem tratar-se de stress causado pela pressão da água.

Alguns anos após este evento, uma estação submarina de última geração lança um submergível para uma das zonas mais remotas do Pacífico, na esperança de comprovar que é ainda mais profunda do que a Fossa das Marianas. Essa embarcação, pilotada pela ex-esposa de Jonas, é atacada por uma estranha criatura, ficando numa situação precária e com menos de 24 horas de oxigénio. Esta é a premissa de The Meg, uma produção de Hollywood, que tenta elevar o nível a que ficámos habituados com os mais recentes projectos do Syfy.

É reunido um elenco impressionante, com destaque para Jason Statham, Rainn Wilson, Cliff Curtis, Ruby Rose e Bingbing Li, para citar alguns. A narrativa tenta ser cientificamente credível, apesar de existirem algumas cenas completamente surreais, como seria de esperar. O humor tenta igualmente ser uma constante, com alguns clichés e decisões questionáveis.

Estamos perante o típico filme-pipoca, que tenta proporcionar entretenimento e que lança os alicerces para uma possível sequela. É evidente que não estamos perante um projecto memorável mas se pretendem dar uma gargalhada e são fãs de Statham, garanto-vos que ficarão satisfeitos no final das quase duas horas de filme.