Train to Busan

Considero-me um entusiasta de filmes de zombies, pelo que não podia continuar a procrastinar no que diz respeito a este projeto, realizado por Yeon Sang-ho. A narrativa centra-se na personagem de Seok-woo, um gestor de investimentos que tem uma visão cínica do mundo. O primeiro acto introduz este pai divorciado, viciado em trabalho, que tem uma relação distante para com a sua filha, Su-an. Após grande insistência, Seok concorda em apanhar o comboio para Busan, permitindo à sua filha passar o aniversário com a mãe, com que tem uma relação de proximidade.

Após o embarque, a narrativa começa a desenvolver-se, com a partilha de informação de tumultos no exterior e um infectado a bordo, que vai iniciar uma verdadeira epidemia no comboio KTX 101, com destino a Busan. Lentamente, vamos tomando conhecimento das restantes personagens desta narrativa, com destaque para Sang-hwa, a sua esposa grávida, Seong-kyeong  e Yon-suk, um executivo que prioritiza a sobrevivência.

As cenas de acção estão bem conseguidas, garantindo o envolvimento do espectador com as personagens. Essa ligação sentimental é fundamental para a progressão da história, em que vários elementos se vão sacrificando, por motivos distintos, para garantir a sobrevivência dos mais jovens. Parece-me igualmente relevante destacar as cenas a bordo do comboio, que conseguem conferir uma sensação de claustrofobia, maximizando a experiência inerente a esta aventura.

Train to Busan é um filme muito competente, garantindo entretenimento e criando uma empatia para com os desafios constantes do grupo, que são constantemente confrontados com probabilidade baixas de sobrevivência. Fica a minha recomendação, sobretudo para quem é fã deste género. Do meu lado, segue-se Península, que apesar de ter sido comercializado como uma sequela, é apenas uma história paralela, que decorre no mesmo universo.

Bom
72%

Godzilla Minus One

A Toho Studios, em parceria com a Robot Communications, lançou este projecto independente, com um orçamento de 15 milhões de dólares. Takashi Yamazaki fez um trabalho extraordinário, com a utilização de efeitos práticos, que convertem este filme numa experiência muito agradável.

Optei por ver a versão a preto e branco, que me parece a mais fiel à visão do realizador. A narrativa decorre no ano de 1945, introduzindo o piloto kamikaze Shikishima, que aterra na Ilha Odo, para reparações. Uma estranha criatura, que faz parte do folclore local, ataca o local, dizimando os engenheiros e toda a infraestrutura militar.

O piloto regressa a casa com claros remorsos pelo facto de ter ficado sem reação aquando do ataque e tem dificuldade em reintegrar-se na sociedade. Para complicar ainda mais a situação, fica a saber que os seus pais faleceram durante o bombardeamento inimigo, o que agrava o seu estado de espírito. Quando tudo parece perdido, conhece uma jovem, de nome Noriko Ōishi, que é responsável por um bebê órfão, com os quais vai criar uma relação platônica.

Tomamos igualmente conhecimento da operação Crossroads, que envolve inúmeros testes nucleares, que serão responsáveis pela mutação de Godzilla, convertendo-o numa ameaça para todo o território japonês. A narrativa é previsível mas coloca o nosso herói num novo confronto com Godzilla, que irá representar o seu arco de redenção.

O ataque à cidade de Ginza é, na minha opinião, o ponto mais alto do filme, lançando a premissa para o terceiro e derradeiro acto narrativo, em que uma série de cidadãos se unem na tentativa de derrotar o monstro. Vou obviamente evitar os spoilers, mas recomendo sem hesitação este projecto para quem é fã dos filmes originais de Godzilla. Conforme referi na introdução, o orçamento é reduzido e tem como suporte efeitos especiais muito práticos, que conferem um aspecto visual antiquado mas que funciona na perfeição.

Minus One foi sem dúvida uma agradável surpresa, sobretudo se considerarmos que foi lançado  praticamente na mesma altura de um dos grandes blockbusters de Hollywood, Godzilla x Kong: The New Empire.

Bom
72%

Miss Marvel

A MCU continua a sua expansão, com a inclusão de Kamala Khan, uma jovem de 16 anos que vive na zona de New Jersey. O primeiro episódio introduz as personagens principais e mostra-nos uma adolescente fascinada com Carol Danvers e que se vê proibida pelos pais de assistir à Avenger-Con.

Tudo muda radicalmente quando a sua avó, Sana, envia uma encomenda, que contém uma bracelete. Kamala resolve desafiar os seus pais, deslocando-se para a Con, com a bracelete a fazer parte integrante do seu fato. De forma inadvertida, vai existir uma descarga de energia cósmica e Kamala passa a ter o poder de controlar essa luz/energia.

Um pouco à semelhança de Spider-Man, a nossa jovem heroína terá uma curva de aprendizagem lenta, contando com o apoio de Bruno Carrelli, o seu melhor amigo. As suas acções acabam por chamar a atenção da DODC, Department of Damage Control, que tudo farão para identificar e capturar Kamala, que é apelidada de Light Girl.

Um dos pontos mais cativantes desta série é a cultura paquistanesa, que é retratada de forma detalhada, demonstrando muito dos costumes e dificuldade de inserção na sociedade americana. Adicionalmente, teremos alguns episódios em Karachi, que servem para introduzir a organização Red Daggers e explicar a origem do poder da bracelete.

Miss Marvel tem como público alvo uma geração mais jovem, mas confesso que  gostei desta mini-série de 6 episódios, que introduz uma personagem cativante, que consegue englobar ação e momentos humorísticos. Estou curioso para ver como será realizada a sua introdução na MCU, com a participação em Marvels.