The Flash

A DCU revelou-se um fracasso, apesar de alguns projectos bem sucedidos, mais especificamente Wonder Woman e Aquaman. Com a entrada de James Gunn, este filme de Flash marca o fim de uma era, com o reboot da franquia.

Confesso que a minha expectativa para este filme era muito baixa, mas tentei ser optimista e dar uma oportunidade a Ezra Miller, do qual não sou fã. A premissa incide em regressar ao passado e evitar que a sua mãe seja assassinada, algo não é do agrado de Bruce Wayne, que alerta para as inevitáveis alterações na linha do tempo.

O primeiro acto conta com participações breves de Batman, Alfred e Wonder Woman, o que se revelou um dos pontos mais altos deste filme. Posteriormente, a ação decorre no passado, numa realidade em que Nora Allen sobrevive e Barry nunca teve poderes. É nesta fase que o filme decresce radicalmente de qualidade, centrando-se em momentos cómicos que envolvem ambos os Barry Allen, com a inevitável adição de Michael Keaton, que repete o papel de Batman, no saudoso filme de 1989.

Na minha opinião, o factor nostalgia ajuda a superar uma narrativa sofrível, com um CGI inqualificável para um projeto desta magnitude e que pouco ou nada acrescenta ao plano de reboot. As cenas de ação são medianas e o terceiro acto tem alguns momentos de fan service, que envolvem alguns actores icónicos de heróis da DC, algo que é manifestamente insuficiente para elevar este projecto a algo que consiga recomendar.

Estamos perante mais uma decisão estranha da Warner Bros, que prescinde de nomes sonantes como Cavill, Affleck, Gadot e Momoa, para investir num plano de dez anos que terá poucas probabilidades de sucesso. E no derradeiro filme que poderia e deveria inspirar-se no clássico da BD Crisis on Infinite Earths, acabamos por ter uma amálgama de ideias, em que a presença de Michael Keaton e Sasha Calle acabam por ser uma lufada de ar fresco.

A minha sugestão passa por aguardarem pela entrada deste título na HBO Max, se realmente fizerem muita questão de investir duas horas e trinta minutos neste filme.  É com muita pena que assisto ao fim desta versão da DC, que tinha potencial para ser francamente melhor, caso existisse um plano que englobasse argumentos de qualidade e que culminasse na criação da Justice League.

Mediano
60%

Transformers: Rise of the Beasts

Com excepção do primeiro filme, estou longe de ser uma fã da visão de Michael Bay. O espetáculo visual que caracteriza o seu estilo cinematográfico não funcionou no que diz respeito aos Transformers, convertendo esta franquia numa desilusão completa. A decisão de realizar um soft reboot, mantendo a cronologia mas seguindo numa direcção oposta trouxe-nos Bumblebee, que se converteu numa agradável surpresa.

Pelos motivos acima mencionados, confesso que estava entusiasmado com Rise of the Beasts, que introduz o icónico Unicron no universo dos Transformers. O primeiro acto decorre no planeta dos Maximals, uma raça de robots que assume a forma de animais e que é responsável pela proteção da Transwarp Key, um artefacto que permite a passagem entre múltiplos pontos do tempo e espaço.

Unicron é uma entidade milenar, que tem a forma de um planeta e que, à semelhança de Galactus, consome planetas como forma de subsistência. Os seus lacaios, designados como Terrorcons, são liderados por Scourge, que falha na sua missão, após um sacrifício de Apelinq, o líder dos Maximals. A sua equipa consegue escapar para o Planeta Terra, com a utilização da Transwarp Key, onde vão encontrar santuário durante vários séculos.

Sem colocar spoilers, a narrativa principal incide na aliança entre Transformers e Maximals, com o intuito de derrotar os Terrorcons, que conseguem finalmente localizar e obter o artefacto. As cenas de ação estão bem conseguidas e o casting inclui nomes consagrados tais como o mítico Peter Cullen, Ron Perlman, Peter Dinklage, Michelle Yeoh, John DiMaggio e David Sobolov.

Apesar de Michael Bay permanecer associado ao projeto, embora na função de produtor, este filme mantem a mesma atmosfera de Bumblebee, convertendo-se numa experiência agradável. Existem alguns pontos que considero menos positivos, sobretudo na forma como a personagem de Optimus Prime é retratada, mas, no global, este é um filme que recomendo para os fãs desta franquia.

A narrativa retira inspiração da BD e uma das cenas pós-créditos revela uma ligação a outra franquia da Hasbro. De acordo com a informação revelada, estão previstos mais dois filmes, que deverá fechar o arco narrativo associado a esta versão dos Transformers.

Bom
70%

O Silo T.1

Há oito anos atrás tive a oportunidade de partilhar o livro que deu origem a esta série. Nessa altura, os rumores apontavam para um filme, com realização de Ridley Scott, algo que lamentavelmente nunca chegou a concretizar-se. No entanto, a Apple TV+ resolveu adquirir os direitos e lançar esta primeira temporada, que conta com um elenco de renome e faz jus à obra de Hugh Howey.

Ao longo de dez episódios vamos acompanhar as aventuras de Juliette Nichols, uma das engenheiras responsáveis pela manutenção do gerador do Silo. Essencialmente, esta sociedade sobreviveu a um evento catastrófico e habita esta estrutura há várias décadas, sem qualquer informação do mundo exterior. De forma de controlar as massas, qualquer objeto do passado (relíquias) é proibido e a procriação é rigorosamente controlada, de forma a manter a sustentabilidade da sociedade.

O Governo é eleito de forma democrática e existe um Xerife, que mantém a ordem, seguindo de forma quase religiosa um documento que é vulgarmente designado como o Pacto. Os primeiros dois episódios centram-se em Holston Becker, o Xerife , que tenta descobrir o motivo que levou a sua esposa a optar pela Limpeza, que representa essencialmente uma sentença de morte e implica a saída para o exterior com um fato hazmat, que é incapaz de proteger da radiação existente.

Holston conclui a sua investigação e acredita que existe uma gigantesca conspiração, com o objetivo de passar uma mensagem errada do que existe no exterior e opta igualmente por sair, o que resulta na sua morte. Mantendo a tradição do Silo, deixou a sua recomendação para o cargo, que irá despoletar uma série de eventos que serão fundamentais para o desfecho da temporada.

De forma relutante, Juliette Nichols aceita a nomeação para Xerife e reabre a investigação acerca do assassinato de George Wilkins, um colecionador de relíquias com quem teve uma relação. Essa decisão gera  uma resposta agressiva por parte do Judicial, na figura de Sims, que pretende remover Nichols da função e manter o status quo.

Sem colocar spoilers, posso adiantar que a narrativa é muito envolvente, criando empatia com a personagem principal, que tenta a todo o custo descobrir a verdade. O elenco, conforme referi, é de renome, contando com Rebecca Ferguson, Rashida Jones, Will Patton, Ian Glen, David Oyelowo, Common, Tim Robbins, Harriet Walter, Avi Nash, Rick Gomez e Chinaza Uche.

Para quem leu o livro, posso igualmente salientar que esta primeira temporada termina sensivelmente a meio, no momento em que Juliette Nichols opta por sair para realizar a Limpeza. A segunda temporada está confirmada para 2024, embora ainda não tenha data de lançamento prevista.