The Super Mario Bros. Movie

Três décadas após o lançamento do live action de Mario, a Nintendo recorreu à animação para relançar a sua franquia mais icónica. Assim sendo, a escolha recaiu em nomes como Chris Pratt, Anya Taylor-Joy, Charlie Day, Jack Black, Seth Rogen e Fred Armisen, o que me deixou francamente entusiasmado. No entanto, a cereja no topo do bolo foi a inclusão de Shigeru Miyamoto, como produtor, garantindo o selo de qualidade que fez de Mario um ícone dos videojogos.

A narrativa é simples e tem início em Brooklyn, onde Mario e Luigi tentam começar um negócio de canalização. O humor é uma constante, bem complementado com a história familiar dos dois irmãos, que vão tentar salvar a cidade de uma inundação. A origem do problema é um Warp Pipe, que catapulta Mario para o Mushroom Kingdom e Luigi para as Dark Lands.

Lentamente, vamos conhecer ambos os mundos e os seus habitantes, com destaque para a Princesa Peach, Toad, Kamek e Bowser. Existem momentos verdadeiramente icónicos, que estão ligados aos videojogos,  tais como a inclusão do Cat Suit e Tanooki Suit. O fan service contido nestes 92 minutos é assinalável, com momentos inspirados em Mario Kart e com alguns easter eggs (a arcade de Donkey Kong e a presença de Charles Martinet) francamente memoráveis.

Gostaria igualmente de destacar o fantástico trabalho de Jack Black, no papel de Bowser e todo o mundo de Jungle Kingdom, em que vamos assistir ao duelo entre Mario e Donkey Kong. O derradeiro acto junta as diversas facções numa batalha pela sobrevivência, com o (in)esperado regresso a Brooklyn, para o duelo entre os dois irmãos e o Líder dos Koopa.

The Super Mario Bros. Movie é uma viagem nostálgica pelo maravilhoso mundo da Nintendo, que consegue incorporar inúmeras referências que serão familiares ás duas gerações que representam o público alvo deste filme. A narrativa, apesar de simples, funciona muito bem e garante a quota parte de entretenimento que todos nós ambicionávamos.

À data deste artigo, a receita de bilheteira atingiu os 1.3 mil milhões de dólares, convertendo este projeto no mais lucrativo de 2023, pelo que será provável a existência de uma sequela. Aliás, existe uma cena pós-créditos que introduz outra personagem icónica do Mushroom Kingdom.

Bom
81%

The Girl with All The Gifts

Num aparente futuro próximo, a Humanidade luta pela sobrevivência, em seguimento de um parasita fúngico que converte os infectados em zombies. O primeiro ato decorre numa instalação militar, em que jovens crianças estão a ser educadas nas mais diversas disciplinas. Ficamos igualmente a saber que os humanos utilizam um creme que inibe o seu odor, tornando-os invisíveis para os zombies.

As crianças são híbridos, que evoluíram num ventre humano, mantendo a capacidade de raciocínio lógico. A forma como são tratados pelo humanos é um dos pontos mais marcantes do filme, mas uma jovem, Melanie, converte-se na derradeira esperança, dado que consegue suprimir parcialmente a “fome” de consumir carne humana. Quando está prestes a ser dissecada, é resgatada por Helen Justineau, a sua professora, que a consegue retirar do complexo militar, que entretanto foi destruído por um ataque zombie.

No segundo ato acompanhamos a aventura de Melanie, Helen, a Dra Caroline Caldwell, o Sargento Eddie Parks e o soldado Kieran Gallagher. A sua missão passa por comunicar com a base e solicitar resgate, no sentido de criar uma vacina que possibilite a sobrevivência da raça humana. Como habitualmente, vou evitar os spoilers, mas quero destacar a narrativa, que é muito fluida e cria empatia com as personagens, que tomam decisões impossíveis com base num contexto único.

As interpretações estão bem conseguidas, com destaque para Gemma Artenton, Sennia Nanua e Paddy Considine. O desfecho final é igualmente fora da caixa, algo que me agrada e eleva este filme a uma experiência extremamente agradável e que recomendo. Esqueçam os conceitos pré-concebidos dos zombies e preparem-se para algo diferente e que, na minha opinião, é totalmente refrescante.

Bom
70%

O 38º Campeonato

O balanço desportivo da temporada tornou-se uma tradição neste espaço, mas com a pandemia e a consequente expansão de outros hobbies, confesso que perdi o interesse em partilhar este tipo de conteúdo. No entanto, parece-me ser a altura ideal para recuperar o tópico.

No que diz respeito à NBA, os meus Lakers superaram as expectativas, após um início aterrorizador (2V-10D), caindo na Final de Conferência, frente aos Denver Nuggets. Na NHL, os Avalanche, campeões em título, foram eliminados na primeira ronda dos playoffs, restando apenas o SLB, que tinha em Roger Schmidt o novo timoneiro.

Sou um apologista do gegenpress, que considero ser um modelo quase perfeito para o nosso futebol. A racionalidade e o rigor táctico germânico foram fundamentais para criar um ligação forte entre equipa e adeptos, que aumentou a confiança numa temporada repleta de sucesso. A campanha na Champions foi brilhante, com apenas uma derrota em 14 jogos, ficando a sensação que era possível ter chegado às meias finais.

A temporada foi atípica, com uma paragem para o Campeonato do Mundo, em que (finalmente) encerrámos a era Fernando Santos. A saída de Enzo Fernandez debilitou o meio campo, que é, na minha opinião, o sector mais importante do 4x2x3x1 de Schmidt, retirando qualidade e criatividade à equipa. Em consequência, existiu uma quebra assinalável no futebol do SLB, que foi sendo lentamente colmatado pela entrega de Chiquinho e a irreverência de João Neves.

Os dez pontos de avanço davam algum conforto, mas o esforço físico resultante da Champions teve o seu impacto negativo, permitindo a reaproximação do FCP e dando uma emotividade inesperada ao campeonato. Felizmente, a equipa recuperou os seus índices físicos e, apesar das lesões de Bah e Guedes, acabámos por chegar à derradeira jornada a depender exclusivamente de nós.

À semelhança de 2019, o Santa Clara era o adversário, que foi incapaz de travar a conquista do trigésimo oitavo campeonato, dando início a mais uma festa do Povo, que pintou o País de vermelho. O epicentro da celebração foi o inevitável Marquês de Pombal, em que a equipa foi recebida em apoteose, por volta da meia noite.

Parece-me justo destacar a aposta pessoal do Presidente em Schmidt, que trouxe uma abordagem e mentalidade distinta e que faz falta ao futebol português, que continua envolvo em suspeição, ausência de fair-play e jogos de bastidores. Uma palavra de apreço para Rui Pedro Braz, que fez um trabalho fabuloso nos bastidores, criando um plantel competitivo e que nos permite ter esperança em conquistas futuras. E que dizer desta simbiose quase perfeita entre jogadores formados no Seixal e verdadeiros desconhecidos, que acrescentaram qualidade e elevaram o futebol apresentado nesta época.

É altura de festejar e apreciar mais um campeonato, sabendo que a exigência para a próxima temporada será ainda maior. Gostaria que o futebol português se concentrasse em soluções para o futuro, sobretudo numa era em que continuamos a descer no ranking europeu, resultado da ausência de competividade da nossa Liga.

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