Star Trek: Picard T.3

A derradeira temporada de Picard explora uma temática incontornável deste universo, embora seja complexo abordar a narrativa sem partilhar spoilers. Na minha opinião, o ponto mais alto é o incrível fan-service, que inclui a presença de inúmeras personagens icónicas de The Next Generation, bem complementado com a introdução de novas personagens, mais especificamente o Capitão Liam Shaw, Vadic, Sidney Laforge e Jack Crusher.

Terry Matalas fez um excelente trabalho, criando uma narrativa coerente, repleta de emoção e nostalgia e que tem um desfecho satisfatório. Diria que este projeto tem como objetivo encerrar o arco inerente à tripulação da Enterprise e abrir novos horizontes para determinadas personagens.

Correm rumores de que teremos uma nova série, que irá concentrar-se nas aventuras de três das personagens de Picard (quando virem os episódios vão perceber), o que me deixa francamente entusiasmado. Outro ponto relevante é a incorporação de conceitos e raças que foram relevantes em DS9 e Voyager, criando uma viagem intensa e repleta de ação, que culmina numa gigantesca batalha espacial, nos derradeiros episódios.

No global, esta é a melhor temporada de Picard, embora tenha ficado desapontado por não terem dado seguimento ao teaser do Projeto Khan (temporada 2). Para quem é fã de Star Trek e tem acompanhado a evolução da franquia, este é sem dúvida um dos pontos altos dos últimos anos.

Blackhat

A premissa deste filme é simples e centra-se na personagem de Nicholas Hathaway, um hacker que se encontra a cumprir pena, que vai ser recrutado como consultor numa investigação conjunta do governo chinês e americano. No decorrer do primeiro acto ficamos a conhecer o real motivo da sua escolha, assim como a sua ligação ao Capitão Chen Dawa.

A agente Carol Barrett e o US Marshal Jessup são destacados para auxiliar nesta missão, que terá como plano de fundo Los Angeles,  Hong Kong e Jacarta. O primeiro objetivo passa por identificar os autores do ataque à central nuclear de Chai Wan, que permanece em sobreaquecimento e em perigo de colapso total. A investigação avança, graças aos métodos pouco ortodoxos de Hathaway, revelando um plano inesperado, embora focado na obtenção de riqueza.

Há uma cena de ação bem conseguida, em Hong Kong, que acaba por ter resultados catastróficos para a equipa, que não consegue aprender Kassar, o suspeito principal. Posteriormente, Hathaway vê-se forçado a entrar na NSA, para aceder a um software (Black Widow), que lhe permitirá identificar a origem do ataque informático à central nuclear.

Como é frequente, evito os spoilers narrativos, mas posso adiantar que o terceiro acto é, na minha opinião, o mais fraco deste filme. Após uma sequência frenética de eventos, o confronto com o vilão fica aquém das expectativas, culminando num desfecho pouco satisfatório. Em termos de interpretações, nada de particularmente relevante, apesar do elenco contar com nomes sonantes, tais como Viola Davis, Chris Hemsworth  e Holt McCallany.

Se procuram um filme que proporcione entretenimento e ocupe um final de domingo, fica a minha recomendação.

Mediano
65%

Ant-Man and the Wasp: Quantumania

A MCU tem passado por uma fase mais conturbada, resultado de decisões questionáveis e uma gigantesca quebra de qualidade na narrativa. Dito isto, foi com bastante moderação que resolvi investir duas horas no terceiro filme de Ant-Man.

O primeiro acto introduz o status quo das personagens principais, com destaque para a vida pessoal e profissional de Scott Lang, que tenta recuperar o tempo perdido com a sua filha. Durante uma reunião familiar, Scott, Hope, Hank, Cassie e Janet são catapultados para o Quantum Realm, dando início a uma aventura que irá trazer de volta alguns fantasmas do passado.

A narrativa assenta na relação existente entre Janet e Kang, que procura desesperadamente reconstruir o Multiversal Power Core. Ficamos igualmente a conhecer o seu plano e as ramificações para o Multiverso, numa clara alusão à série de Loki. O Quantum Realm é retratado de forma cativante, englobando várias raças que se unem no sentido de criar uma Resistência e combater as forças de Kang.

Destaque para as personagens de Jentorra, Quaz e Veb, que acrescentam alguma profundidade e humor à narrativa, que acaba por ser muito previsível. No entanto, o ponto mais desapontante deste filme é o vilão, que nunca atinge o patamar (narrativo) necessário para elevar esta aventura. Adicionalmente, Cassie e Janet são claramente as personagens mais fortes deste filme, que relega Scott Lang e Hope  para um papel secundário, o que não deixa de ser surpreendente.

No global, Quantumania tem efeitos especiais soberbos e alguns momentos de humor que o convertem numa experiência agradável. No entanto, está distante de ser uma adição relevante para a MCU, que continua a ter dificuldade em replicar o sucesso da fase 3. E nem sei o que dizer acerca do caminho seguido para M.O.D.O.K.!Recomendo que aguardem pelas duas cenas pós-créditos, que são relevantes para os eventos de Loki.

Mediano
66%