Avatar: The Way of Water

Há catorze anos atrás, James Cameron alterou a forma como encaramos o cinema, introduzindo o mundo dos Na’vi. O aspecto visual foi completamente inovador e o enredo embora interessante, estava repleto de similaridades com Pocahontas.

Foi necessário explicar muito tempo para termos o regresso da família Sully, que conta agora com seis elementos no seu seio. Resumidamente, a invasão da RDA em Pandora persiste, embora o clã Omatikaya, liderado por Jake, continue a resistir e a criar dificuldades ás forças humanas.

O aspecto visual é fantástico, demonstrando em pormenor as florestas densas do planeta, mas vai ainda mais longe, introduzindo as tribos do Mar, mais especificamente o clã Metkayina. Na minha opinião, o elemento mais fraco deste filme é a narrativa, que se foca essencialmente nas rebeldia dos filhos de Jake e Neytiri. Sem colocar spoilers, grande parte de The Way of Water foca-se na mudança de tribos, com a família Sully a ter de adaptar-se a uma nova realidade.

O Coronel Miles Quaritch repete o seu papel como vilão, embora num formato distinto, muito focado numa “missão de caça ao homem”.  James Cameron mantém a sua visão destrutiva da Humanidade, que persiste em explorar os recursos naturais de Pandora, sem qualquer respeito pelas tribos locais e perturbando o equilíbrio natural do ecossistema.

O elenco conta com nomes sonantes, tais como Sam Worthington, Zoe Saldaña, Stephen Lang, Cliff Curtis, Kate Winslet e Sigourney Weaver, que complementam a juventude no qual assenta a narrativa do filme. Pessoalmente, considero que a duração de 192 minutos é excessiva, com alguma repetição no terceiro acto, que representa a batalha entre os humanos e o clã Metkayina.

The Way of Water é deslumbrante a nível visual, mas volta a incorrer em alguns erros comuns ao primeiro filme. A narrativa tem alguns momentos violentos, com acontecimentos inesperados, embora seja complementada com decisões que nos fazem sentir compaixão num final feliz para os habitantes de Pandora.

Fica a recomendação, embora seja necessário aguardar até 25 dezembro de 2025 para termos acesso à terceira parte desta aventura.

Bom
85%

Shazam! Fury of the Gods

Billy Batson e a Shamazily estão de regresso para mais uma aventura, que ocorre dois anos após os eventos do filme original. Desta feita, os vilões são Hespera, Kalypso e Anthea, as filhas de Atlas, que pretendem recuperar o bastão do Feiticeiro e utilizar os seus poderes para dar vida ao seu antigo Reino.

A narrativa mantém o humor característico, intercalada com muita ação e a inevitável imaturidade dos jovens heróis, que se revelam incapazes de trabalhar em equipa. Aliás, a própria  imprensa utiliza de forma pejorativa o termo The Philly Fiascos, numa clara referência à disfuncionalidade deste grupo de super-heróis.

De forma a humanizar e gerar empatia, David F. Sandberg concentra alguma atenção nas dores de crescimento dos jovens, mais especificamente o facto de estarem a atingir a maioridade, o que impossibilita a sua permanência com a família de adopção. O primeiro acto é, na minha opinião, o mais interessante deste projeto, que vai decaindo de qualidade com o avançar da (previsível) narrativa.

O CGI utilizado cumpre a função, mas a utilização de elementos sobrenaturais acrescentam pouco ao produto final. Adicionalmente, as vilãs estão longe de serem memoráveis, o que é sempre lamentável, sobretudo quando consideramos a qualidade do casting realizado (Helen Mirren, Lucy Liu, Rachel Zegler, etc). No entanto, parece-me justo frisar que a decisão de realizar novo reboot na DCU não ajudou em nada à promoção deste filme, que foi um fiasco em termos de receitas de bilheteira.

Pessoalmente, considero esta sequela inferior ao projeto original, mas se procuram um filme pipoca, que vos ocupe durante duas horas, esta pode ser uma escolha acertada. Para terminar, quero apenas salientar que temos um cameo relevante e que existem duas cenas pós créditos, que lamentavelmente não terão qualquer seguimento.

Mediano
65%

Batman: The Doom That Came to Gotham

Baseado no universo ElseWorlds da DC, a narrativa decorre em 1920, numa expedição ao Ártico, com o intuito de localizar o Prof. Oswald Cobblepot e a sua expedição. Bruce Wayne acaba por localizar o barco, encontrando um cenário de morte e destruição, que irá libertar uma poderosa força maligna.

O material original foi escrito pela dupla Mike Mignola/Richard Pace, sendo notória a ligação ao sobrenatural. Sem desvendar muito da narrativa, posso adiantar que o primeiro acto transporta-nos para uma Gotham em que impera a lei-seca e onde alguns dos vilões e heróis que conhecemos são apresentados de uma forma distinta.

Conforme mencionei, a utilização do oculto e magia é recorrente, o que coloca em causa a racionalidade de Batman. Adicionalmente, existem momentos em que é evidente a inspiração na obra de H.P.Lovecraft (The Doom That Came To Sarnath), com o recurso a personagens místicas tais como Etrigan,  Ra’s al Ghul e Cthulhu.

Apesar do casting ter bons actores, a realidade é que não fiquei convencido com algumas escolhas, o que acabou por retirar um pouco do meu interesse neste projeto. Apesar de ser interessante o caminho escolhido para Green Arrow, Mr Freeze, Killer Croc, Poison Ivy e Two-Face, tudo o resto acaba por ser demasiado forçado, terminando com uma batalha pouco satisfatória.

Dito isto, considero que este filme é interessante, por ser uma aventura ElseWorlds, embora não me tenha cativado, sobretudo com as escolhas realizadas no derradeiro acto. Para os fãs da DC, esta pode ser uma alternativa sólida, motivo pelo qual sugiro que invistam cerca de 90 minutos em The Doom That Came to Gotham.

Mediano
68%