The Girl with All The Gifts

Num aparente futuro próximo, a Humanidade luta pela sobrevivência, em seguimento de um parasita fúngico que converte os infectados em zombies. O primeiro ato decorre numa instalação militar, em que jovens crianças estão a ser educadas nas mais diversas disciplinas. Ficamos igualmente a saber que os humanos utilizam um creme que inibe o seu odor, tornando-os invisíveis para os zombies.

As crianças são híbridos, que evoluíram num ventre humano, mantendo a capacidade de raciocínio lógico. A forma como são tratados pelo humanos é um dos pontos mais marcantes do filme, mas uma jovem, Melanie, converte-se na derradeira esperança, dado que consegue suprimir parcialmente a “fome” de consumir carne humana. Quando está prestes a ser dissecada, é resgatada por Helen Justineau, a sua professora, que a consegue retirar do complexo militar, que entretanto foi destruído por um ataque zombie.

No segundo ato acompanhamos a aventura de Melanie, Helen, a Dra Caroline Caldwell, o Sargento Eddie Parks e o soldado Kieran Gallagher. A sua missão passa por comunicar com a base e solicitar resgate, no sentido de criar uma vacina que possibilite a sobrevivência da raça humana. Como habitualmente, vou evitar os spoilers, mas quero destacar a narrativa, que é muito fluida e cria empatia com as personagens, que tomam decisões impossíveis com base num contexto único.

As interpretações estão bem conseguidas, com destaque para Gemma Artenton, Sennia Nanua e Paddy Considine. O desfecho final é igualmente fora da caixa, algo que me agrada e eleva este filme a uma experiência extremamente agradável e que recomendo. Esqueçam os conceitos pré-concebidos dos zombies e preparem-se para algo diferente e que, na minha opinião, é totalmente refrescante.

Bom
70%

Tenet

Christopher Nolan escreveu e realizou este filme, que narra as aventuras de Protagonista, um agente da CIA que irá tornar-se um activo da organização Tenet. O enredo é cativante, focando-se em Andrei Sator, um oligarca russo que aparenta estar sempre um passo à frente da concorrência, por motivos que serão revelados ao longo do filme.

O primeiro acto detalha o processo de recrutamento da personagem principal, após ser resgatado pelas força KORD. Posteriormente, seremos introduzidos aos principais elementos da narrativa, das quais destaco Neil, o seu parceiro nesta missão e Kat Barton, a esposa de Sartor. O objetivo inicial passa por recolher informação, mas rapidamente se converte numa desesperada tentativa de evitar um holocausto nuclear.

Tenet explora a componente de ficção científica, mais especificamente uma tecnologia que permite o acesso a uma realidade invertida, em que é viável realizar incursões no tempo. O enredo torna-se francamente complexo no segundo acto mas compensa o espectador no último terço, com a revelação de vários elementos fulcrais para o desfecho do filme.

As cenas de ação estão igualmente bem coreografadas, com destaque para a fabulosa sequência final. Para concluir, a incontornável referência ao elenco, em que brilham nomes como John David Washington, Robert Pattinson, Elizabeth Debicki, Kenneth Branagh e Aaron Taylor-Johnson. Estamos, sem dúvida,  perante um filme inteligente, excepcionalmente bem realizado e que nos envolve numa trama complexa, durante duas horas e trinta minutos.

Lamentavelmente, Tenet apresentou resultados de bilheteira modestos, muito pelo facto de ter lançado em Agosto de 2020, em pleno pico da pandemia. No entanto, é uma excelente escolha para fãs deste género e que combina alguns elementos de Inception e Interstellar, dois projectos que foram igualmente realizados por Christopher Nolan.

Bom
80%

Legion of Super-Heroes

O primeiro ato deste filme apresenta a típica cena da destruição de Krypton, mas numa perspectiva de Kara, que é enviada para o Planeta Terra para proteger o seu primo Kal-El. Como é do conhecimento geral, acaba por chegar anos mais tarde do que o previsto, encontrando um planeta que usufruiu da proteção do Super-Homem.

Vamos acompanhar a dificuldade de adaptação de Kara, que não consegue lidar com a ausência de tecnologia. Após uma batalha com Simon Grundy, em que os danos materiais à cidade são significativos, Clark utiliza uma esfera do século XXXI  para levar Kara à sede da Legião dos Super-Heróis.

Após estar definida a premissa narrativa, vamos acompanhar o treino e a desfuncionalidade da equipa, que revela uma incapacidade em unir esforços. Adicionalmente, a presença de Brainiac 5 causa desconfiança, o que será explorado de forma interessante ao longo deste filme.

Sem revelar spoilers, adianto que teremos o habitual ataque na ausência dos professores, que irá criar as condições necessárias para um arco de redenção para Kara e vários dos membros da equipa. Por motivos óbvios, vou manter secreta a identidade do vilão deste filme, que cumpre a sua função de entretenimento. Considero interessante a introdução da sociedade secreta Dark Circle, que tem uma agenda relevante para o desfecho desta aventura, assim como alguns membros da equipa, dos quais destaco Mon-El, Triplicate Girl, Phantom Girl, Invisible Kid e Arm-Fall-Off.

No que diz respeito à animação, a DC tem normalmente um padrão de qualidade elevado, mas confesso que não fiquei impressionado com o sexto filme do TomorrowVerse, que tem uma cena pós-créditos finais que é hilariante, embora perfeitamente irrelevante para o desfecho deste filme.

Mediano
66%