Ghostbusters: Afterlife

Esta franquia é sem dúvidas uma das minhas referências de infância, o que elevou o meu grau de expectativa. Mas no meu pensamento persistia o reboot de 2016, que pouco acrescentou ao Universo, pelo que decidi encarar Afterlife com cepticismo.

Os trailers recuperaram a esperança, com um feeling muito próprio do filme de 1984, com o bónus de ser realizado por Ivan Reitman e baseado num guião escrito por Dan Aykroyd e o falecido Harold Ramis. A narrativa é repleta de referências ao original, contando a história de Egon Spengler, que se mudou para Summervile, uma pequena cidade mineira de Oklahoma, onde é visto pelo locais como um velho senil. A premissa para o resto de Afterlife consiste precisamente na sua morte, ás mãos de uma estranha entidade.

O primeiro acto apresenta-nos igualmente Callie, a filha de Egon e a sua família, composta por Trevor e Phoebe, que irão deslocar-se para esta cidade, para tomar conhecimento do testamento. A quinta encontra-se num estado de degradação elevado, repleta de sucata e sem aparente cultivo de frutas ou legumes, apesar da terra ser cuidadosamente lavrada.

O ambiente de pequena cidade está muito bem conseguido e as personagens são cativantes. O desenvolvimento da narrativa é competente e a introdução de Podcast e Gary Grooberson são fundamentais para garantir os momentos de humor. Temos igualmente muito fan service, com a (curta) participação de Dan Aykroyd, Ernie Hudson, Annie Potts, Bill Murray e Sigourney Weaver. Não vou dar spoilers acerca do desfecho mas o antagonista principal é o clássico Gozer, que conta novamente com a ajuda de Zuul e Vinz Clortho. 

Afterlife é um exercício de nostalgia e um tributo incrível a Harold Ramis. Estamos perante um bom filme, que é sem dúvida criado para os fãs originais mas acredito que existem motivos de interesse para quem desconhece por completo o universo de Ghostbusters. Existem duas cenas pós-créditos que lançam uma potencial sequela, que permanece sem confirmação.

Bom
75%

Hellboy: Blood and Iron

Este filme centra-se nas aventuras do Professor Trevor Bruttenholm, mais especificamente numa missão que o leva para a Transilvânia. Erzebet Ondrushko é uma vampira que vendeu a sua alma à Deusa Hecate, no sentido de manter a sua aparência jovem. Para tal, necessita literalmente de banhar-se no sangue de inocentes. Com a ajuda do sol e do Padre Lupescu, o Professor Bruttenholm consegue derrotar a vampira. A narrativa avança para o presente, em que o BPRD é chamado para um aparentemente simples e que está relacionado com uma casa assombrada nos Hamptons.

O proprietário da propriedade é Oliver Trumbolt, que tem uma ligação próxima dos Senadores, o que força a equipa, composta por Liz, Abe, Hellboy e Sydney Leach, a aceitar a missão. O facto mais curioso é a insistência do Professor em acompanhar a equipa, sem explicar o seu motivo oculto, que será revelado posteriormente.

Segue-se a montagem do equipamento de vigilância, que permite à equipa perceber que não se trata de uma manobra publicitária e que efetivamente existem fantasmas na mansão, que estão ligados à missão da Transilvânia. Aparentemente, alguém que esteve presente na missão da Transilvânia está a tentar ressuscitar Erzebet Ondrushko, com o auxílio das hárpias. Como tem sido habitual, há uma componente de humor nos diálogos, sobretudo de Hellboy, que tende a desvalorizar o real perigo das situações em que se coloca.

Temos uma batalha contra as harpias, um lobisomem e a inevitável Hecate, que pretende o auxílio de Hellboy para a destruição do Mundo como o conhecemos. Liz e Abe unem esforços para ajudar o nosso demónio a derrotar a Deusa, algo que se revela complexo mas que acaba por suceder. O derradeiro acto fecha com a derradeira luta entre Erzebet Ondrushko  e o Professor Trevor Bruttenholm, que utiliza a sua inteligência para compensar a debilidade física que ostenta.

Blood and Iron é, na minha opinião, um filme superior a Sword of Storms. A manutenção do casting garante continuidade ao projeto, dado que nos permite manter a associação ao filme live action, assim como à animação. E sejamos honestos, Sir John Hurt, Ron Perlman, Salma Blair e Doug Jones são soberbos nos seus respectivos papéis.

Mediano
70%

Venom: Let There Be Carnage

Cletus Kasady foi uma personagem introduzida no filme original, que se irá converter nesta sequela num dos vilões mais icónicos de Venom.

O primeiro acto foca-se no passado criminoso de Cletus, em que faz parceria com Frances Barrison (Shriek). Após determinarmos o seu perfil de serial killer e percebermos o motivo pelo qual a sua parceira se encontra internada no Instituto Ravencroft, vamos acompanhar a evolução da relação de Eddie Brock com o simbionte.

Existem algumas cenas de humor bem conseguidas, sobretudo com as personagens de Mrs Chen e Venom. A narrativa e os diálogos são extremamente básicos, o que condicionou claramente o meu nível de interesse. As cenas de ação estão maioritariamente bem conseguidas, embora em alguns momentos o CGI deixe algo a desejar.

A revolta na prisão de San Quentin acaba por ser a melhor sequência do filme, mostrando a faceta mais violenta de Kasady após ser infetado por Carnage. O terceiro acto contém a batalha entre os dois simbiontes, assim como o duelo entre Cletus e Brock. Sem divulgar spoilers, o final é pouco satisfatório e parece-me demasiado apressado.

Em conclusão, tinha expectativas moderadas para este filme, mas a realidade é que a visão de Andy Serkis não me conquistou. Faltam momentos épicos e a parte mais interessante acaba por constar nos créditos finais, em que temos uma ligação direta com o novo filme de Spider-Man.

Mediano
60%