O Silo T.1

Há oito anos atrás tive a oportunidade de partilhar o livro que deu origem a esta série. Nessa altura, os rumores apontavam para um filme, com realização de Ridley Scott, algo que lamentavelmente nunca chegou a concretizar-se. No entanto, a Apple TV+ resolveu adquirir os direitos e lançar esta primeira temporada, que conta com um elenco de renome e faz jus à obra de Hugh Howey.

Ao longo de dez episódios vamos acompanhar as aventuras de Juliette Nichols, uma das engenheiras responsáveis pela manutenção do gerador do Silo. Essencialmente, esta sociedade sobreviveu a um evento catastrófico e habita esta estrutura há várias décadas, sem qualquer informação do mundo exterior. De forma de controlar as massas, qualquer objeto do passado (relíquias) é proibido e a procriação é rigorosamente controlada, de forma a manter a sustentabilidade da sociedade.

O Governo é eleito de forma democrática e existe um Xerife, que mantém a ordem, seguindo de forma quase religiosa um documento que é vulgarmente designado como o Pacto. Os primeiros dois episódios centram-se em Holston Becker, o Xerife , que tenta descobrir o motivo que levou a sua esposa a optar pela Limpeza, que representa essencialmente uma sentença de morte e implica a saída para o exterior com um fato hazmat, que é incapaz de proteger da radiação existente.

Holston conclui a sua investigação e acredita que existe uma gigantesca conspiração, com o objetivo de passar uma mensagem errada do que existe no exterior e opta igualmente por sair, o que resulta na sua morte. Mantendo a tradição do Silo, deixou a sua recomendação para o cargo, que irá despoletar uma série de eventos que serão fundamentais para o desfecho da temporada.

De forma relutante, Juliette Nichols aceita a nomeação para Xerife e reabre a investigação acerca do assassinato de George Wilkins, um colecionador de relíquias com quem teve uma relação. Essa decisão gera  uma resposta agressiva por parte do Judicial, na figura de Sims, que pretende remover Nichols da função e manter o status quo.

Sem colocar spoilers, posso adiantar que a narrativa é muito envolvente, criando empatia com a personagem principal, que tenta a todo o custo descobrir a verdade. O elenco, conforme referi, é de renome, contando com Rebecca Ferguson, Rashida Jones, Will Patton, Ian Glen, David Oyelowo, Common, Tim Robbins, Harriet Walter, Avi Nash, Rick Gomez e Chinaza Uche.

Para quem leu o livro, posso igualmente salientar que esta primeira temporada termina sensivelmente a meio, no momento em que Juliette Nichols opta por sair para realizar a Limpeza. A segunda temporada está confirmada para 2024, embora ainda não tenha data de lançamento prevista.

Vampire in the Garden

Vanpaia in za Gāden é um anime da Wit Studios, que retrata um futuro distópico, em que os sobreviventes humanos lutam pela sobrevivência, em cidades fortificadas com luz. O primeiro episódio tem início com um ataque a uma estrutura, que alberga vampiros. Um dos soldados, Momo, é incapaz de matar um jovem vampiro, sendo resgatada por Mirena, que recupera uma caixa de música.

O conflito entre as duas facções é longo e para além de dizimar os recursos, gerou o desespero. Nas cidades humanas, a música foi banida, devido à sensibilidade auditiva do inimigos e do lado dos vampiros, foi sintetizada uma droga que aumenta os seus poderes, a um custo fatal. Sem entrar em pormenores, a narrativa assenta na amizade  entre Momo e Fine, a Rainha dos Vampiros, que aspira viver em harmonia com os humanos.

Ao longo de 5 episódios, vamos explorar essa premissa, num contexto de romance, que tem muita violência e fanatismo associado. As assimetrias entre ambos os mundos são narradas de forma quase perfeita, descrevendo a ausência de valores e a necessidade de derrotar o inimigo a todo o custo. A relação entre Momo e Fine complementa precisamente essa componente, oferecendo uma perspectiva sentimental e a busca de algo que chega a roçar o utópico.

Fiquei agradavelmente surpreendido com este projeto, que recomendo sem hesitação para quem procura algo diferente e que se destaque pela qualidade narrativa. Em território nacional, Vampire in the Garden encontra-se disponível via Netflix.

Dungeons & Dragons: Honor Among Thieves

Baseado no universo de D&D, mais especificamente na campanha Forgotten Realms, este filme narra as aventuras de Edgin Darvis, um bardo que se encontra emprisionado com a bárbara Holga Kilgore. O primeiro acto introduz a premissa principal, descrevendo os eventos que levam ao seu aprisionamento, após uma traição de Forge Fitzwilliam e da sua estranha mágica, Sofina.

O humor é uma componente relevante neste filme, que combina ação com alguns elementos característicos do jogo de tabuleiro, adicionando a realização de missões paralelas, com o objetivo de adquirir artefactos que aumentam a probabilidade de sucesso. Após o recrutamento de Simon Aumar (feiticeiro) e Doric (druida elfa), a equipa fica completa e preparada para entrar em Neverwinter e derrotar Forge, com o intuito de resgatar a filha de Edgin.

É importante salientar o inevitável desenvolvimento de personagens, com foco nas suas fraquezas e medos, que serão fundamentais para a obtenção do Elmo da Disjunção, um elemento crucial para o sucesso desta demanda épica. Adicionalmente, vamos conhecer o passado de Darvis como um membro dos Harpers e a lenda de Xenk Yendar, um paladino que será fundamental na viagem até Underdark e a consequente batalha com Themberchaud, um lendário dragão vermelho.

O terceiro e derradeiro acto ocorre na arena dos High Sun Games, em Neverwinter, em que a equipa terá de derrotar uma poderosa maga necromante (sem spoilers). Ao bom estilo de D&D, os artefactos adquiridos são fundamentais para o sucesso nesta batalha, garantindo um final satisfatório e com o humor característico desta aventura.

No global, Honor Among Thieves proporciona diversão e entretenimento, com alguns momentos de fan-service, dos quais destaco a referência a Baldur’s Gate e o cenário de Neverwinter, que me traz memórias da minha adolescência.

No entanto, parece-me justo salientar que se trata do típico filme pipoca, que faz sentido numa tarde de domingo, num sofá, com a companhia da família.

Mediano
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