Mobile Suit Gundam Hathaway

O ano é de U.C.0105 e a narrativa arranca a bordo da Haunzen, que está a caminho da Terra, com inúmeros membros do Governo a bordo. Passaram doze anos desde os eventos de Char’s Adventure, e uma organização anti-federação denominada Mafty começa a ganhar tração junto da população. O seu líder é o misterioso Mafty Navue Erin, cuja aparência é desconhecida.

O primeiro acto apresenta as personagens principais, mais concretamente Hathaway Noa, filho de Bright Noa, o Capitão Kenneth Sleg e Gigi Andalucia. Vamos acompanhar a estranha relação desde triângulo, que está repleto de segredos e mistério. A identidade de Mafty Navue Erin é relevada no início do segundo acto, que incorpora várias cenas de ação e tenta justificar a posição defendida pela Federação, assim como a dos rebeldes.

Gosto particularmente da relação entre Gigi Andalucia e Hathaway, que combina sensualidade e desconfiança, conferindo uma dinâmica muito interessante. As cenas de ação ficam reservadas para as batalhas entre Mafty Erin e Gawman estão bem conseguidas e são fundamentais para quebrar um pouco a densidade da narrativa, que tem muitas referências aos filmes anteriores.

Como habitualmente, não vou colocar spoilers mas diria que Mobile Suit Gundam Hathaway é um filme necessário para quem é fã dos originais. Apesar de ser um projeto recente e ter um estilo de animação diferente, acaba por complementar a saga e é, na minha opinião, uma experiência agradável.

Mediano
68%

Dragon’s Dogma

Esta ONA (original net animation) é baseada no jogo da CAPCOM e leva-nos ao mundo de Gransys, onde conhecemos Ethan, a sua mulher e Louis, um jovem órfão, que vivem nas montanhas. O primeiro episódio apresenta-nos a história triste de Ethan, que perde a sua família, após a cidade ser atacada por um dragão. Adicionalmente, o seu coração é removido, dando início a uma maldição que vai alimentar a narrativa desta série.

Ethan é ressuscitado por Hannah, uma Pawn, convertendo-se num Arisen, cujo objetivo é matar o dragão e manter um ciclo mágico que ocorre há várias eras. Os sete episódios seguintes de Dragon’s Dogma acompanham as aventuras de Hannah e Ethan, representando os sete pecados mortais, algo que será fundamental para o desfecho desta aventura.

Ao longo da série, o sobrenatural é uma constante, com a presença de goblins, griffins, hydras, lich e até um vampiro. A animação e o casting é competente, mas não consegue transportar-me para este universo mágico, em que os humanos tentam ultrapassar um cenário em que as probabilidades de sucesso são extremamente reduzidas.

Confesso que o desfecho, na Tainted Mountain, é o ponto alto da série, que no global, consegue ser interessante mas pouco memorável. Em conclusão, apesar de não conseguir recomendar este projeto de Shinya Sugai, fica a menção a mais uma adaptação da CAPCOM, que continua a ter em Resident Evil a sua franquia mais forte em termos de animação.

Spiderhead

Baseado numa short story da autoria de George Saunders, vamos acompanhar o quotidiano diário de uma penitenciária inovadora, em que os reclusos usufruem de várias liberdades, em troca de ensaios médicos. O responsável pelo projeto é Steve Abnesti, que conta com o apoio de Mark, o seu assistente de pesquisa.

Conforme mencionado, as instalações (Spiderhead) acomodam quartos individuais para os reclusos, que coexistem em harmonia e sem necessidade de guardas. Lentamente, vamos acompanhando os testes realizados, que consistem em medicação que provoca alterações de humor e percepção. Curiosamente, toda a experiência é documentada via vídeo, requerendo sempre uma aceitação verbal por parte dos intervenientes.

Adicionalmente, vamos conhecendo o passado de Jeff e Lizzy, as duas cobaias primárias de Abnesti, que carregam o peso dos seus crimes. No segundo acto, temos indícios claros de uma agenda oculta, que está associada ao medicamento B-6, que terá uma relevância fundamental para o desfecho da narrativa.  O ritmo do filme é lento, com foco no diálogo e nalgumas cenas repletas de intensidade, que sustentam o thriller psicológico dos eventos que vão ocorrendo ao longo dos testes.

A nível de interpretações, o destaque vai para a sinergia de Chris Hemsworth e Milles Teller, que elevam a qualidade do produto final. Está longe de ser um filme memorável, mas confesso que fiquei agradavelmente surpreendido com Spiderhead, motivo pelo qual resolvi partilhar a sugestão.

Mediano
64%