Playing Hard

Sou um confesso entusiasta de documentários, o que me leva a investir frequentemente em conteúdos deste género via Netflix. O mais recente projeto é Playing Hard, que retrata o processo de criação de For Honor, um videojogo desenvolvido pela Ubisoft.

O espaço temporal é de aproximadamente cinco anos, em que Jason VandenBerghe (director criativo), Stéphane Cardin (produtor) e Luc Duchaine (marketing) vão passar por intensos períodos de stress, no sentido de garantir um ambiente colaborativo e cumprir os objetivos inerentes ao projeto que abraçaram.

O que começa por ser entusiasmante, rapidamente se converte num desafio, com prazos apertados e a necessidade de equilibrar a vida profissional com a pessoal. Ficamos igualmente a saber que For Honor é o jogo que Jason VandenBerghe sempre quis criar e que foi rejeitado por diversas vezes na última década. Vamos acompanhar a sua visão criativa e a euforia associada a criar algo com que sempre sonhou. Existem pormenores deliciosos, tais como o facto do jogo inicialmente se chamar Hero e ser algo que suscitou muitas dúvidas na fase inicial de desenvolvimento.

Igualmente positivo é a visão interna que temos da indústria dos videojogos, com destaque para a interação entre os vários departamentos, no sentido de oferecer o melhor produto final possível. É evidente que este documentário foca igualmente os aspectos negativos, dos quais se destaca a pressão e a necessidade de fazer lucros significativos, com o respetivo impacto na saúde dos membros da equipa.

Cardin é um pai divorciado, que se vê forçado a realizar um retiro terapêutico a dois meses do lançamento do jogo. VandenBerghe no final do projeto constata que foi afastado progressivamente das decisões e que não vai regressar para a sequela, algo para o qual não estava preparado. E Duchaine vê o seu estado de saúde piorar drasticamente com as constantes viagens de promoção.

Todos estes momentos são retratados na primeira pessoa, com desabafos e testemunhos que são poderosos e nos mostram o quão competitiva e destruidora é a actual indústria dos videojogos.  O documentário termina numa nota positiva, dado que o título se converte num sucesso comercial e os intervenientes acabam por aceitar e resolver a maior parte dos conflitos internos com quem se debateram neste período.

Altamente recomendado para quem se interessa pelo tópico dos videojogos e gestão de equipas no mundo moderno.

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hugocardoso

Criador / Fundador do Portal Pessoal
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